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9 de agosto de 2014

SAM ELLIOTT, O COWBOY AUTÊNTICO COMPLETA 70 ANOS


Sam Elliott em "Butch Cassisy".
A televisão, nos anos 50, tomou o lugar do cinema como o principal meio de diversão das famílias. E o gênero de filmes mais afetado com o advento da televisão foi o faroeste, cuja produção cinematográfica diminuiu ano após ano, isto devido à profusão de séries westerns de TV criadas nos anos 50 e 60. E foi justamente na década de 60 que surgiu o ator que como nenhum outro interpretava o autêntico cowboy. Seu nome é Sam Elliott, que estreou no cinema em “Butch Cassidy”, um dos westerns de maior sucesso de todos os tempos. O ano era 1969 e Sam tinha então 25 anos. Nesse filme Etta Place, interpretada por Katharine Ross, se divide entre os bandidos-galãs Butch Cassidy (Paul Newman) e Sundance Kid (Robert Redford). Na vida real quem ficou com a bela Katharine Ross foi Sam Elliott, que tem pequena participação na sequência do jogo de cartas no início do faroeste de George Roy Hill. Mas o começo da carreira de Sam Elliott não foi tão fácil quanto pode parecer.

Bigodes das telas: Richard Boone,
Tom Selleck e Sam Elliott.
Recusa em ser sex-symbol - Sam Pack Elliott nasceu em Sacramento, na Califórnia, em 9 de agosto de 1944 e sua família se mudou para o Oregon quando Sam era ainda menino. Frequentador assíduo das 'Saturday Afternoons' (as matinês norte-americanas) que exibiam westerns B e seriados, Sam aos nove anos já havia decidido que queria ser ator e ator de westerns. Sam Elliott foi estudar em Los Angeles, onde na Universidade aprendeu Arte Dramática. Após cumprir o serviço militar chegava a hora do rapagão de 1,88m de altura, dono de físico invejável e bela estampa, disputar um lugar em Hollywood. O que não faltou foi produtor impressionado com a boa pinta de Sam querendo transformá-lo em sex-symbol, mas não era bem essa a proposta do jovem que também não aceitava as tão comuns propostas facilitadoras para chegar ao sucesso. Sam tinha também forte personalidade, assim como forte era seu timbre de voz que combinava com sua imagem máscula. E Sam completou essa imagem deixando crescer um bigode incomum, pelo tamanho, aos galãs de cinema e televisão. Richard Boone (O Paladino do Oeste) usava um bigode até discreto e Tom Selleck ainda não se tornará o detetive de “Magnum”, famoso tanto pela Ferrari 308 GTB quanto pelo enorme bigode. Com um bigode igual àquele Sam Elliott descartava a possibilidade de ser mais um mero galã em Hollywood, mas firmava um tipo mais que apropriado para os faroestes cada vez mais raros no cinema mas nunca esquecidos pela televisão.

Tom Selleck e Sam Elliott
Selleck e Elliott, encontro de bigodes - Sam Elliott participou de incontáveis séries de TV, muitas delas westerns, aparecendo em 13 episódios de “Missão Impossível”. Esses trabalhos o tornaram mais conhecido do grande público e começaram a surgir as oportunidades para estrelar TV-movies, aqueles filmes produzidos pela redes de televisão e que eram, muitas vezes, melhores que os feitos para o cinema. Sam Elliott interpretou o motociclista Evel Knievel no filme do mesmo nome, em 1974 e se encontrou com Tom Selleck na produção de “Em Nome da Lei” (The Sacketts), western feito para a TV. Exibido em duas partes, com duração total de 240 minutos, essa filme baseado numa história de Louis L’Amour teve o elenco composto por nomes muito conhecidos pelos fãs de westerns, como Glenn Ford, Ben Johnson, Jack Elam, Gilbert Roland, Slim Pickens, L.Q. Jones, Gene Evans e John Vernon, além das atrizes Mercedes McCambridge e Ruth Roman. Para o cinema Sam Elliott estrelou “Convite à Morte” (1978), filme de horror no qual contracena com Katharine Ross. Anos depois, em 1984, Sam e Katharine se apaixonaram e se casaram.

Sam Elliott e Katharine Roos em
"Conagher".
Sam e Katharine – Sam Elliott e Tom Selleck se reencontraram, desta vez como irmãos, em “Os Cavaleiros das Sombras” (The Shadow Riders), outro western feito para a TV. Continuaram as participações de Sam Elliott em séries e em mini-séries para a televisão, até que em 1985 o ator teve uma ótima oportunidade em “Marcas do Destino” (Mask), contracenando com Cher, filme no qual a maior atração era o rosto deformado de Eric Stoltz. Em 1986 foi produzido um TV-movie intitulado “Texas”, contando a vida do general Sam Houston, que foi interpretado por Sam Elliott. Em 1987 “No Rastro da Violência” (The Quick and the Dead), outro TV-movie western, foi praticamente uma refilmagem de “Shane”. Nesse filme Sam Elliott é justamente o cavaleiro misterioso que surge para ajudar o casal (interpretado por Bill Conti e Kate Capshaw) ameaçado pelos bandidos, em outra história de Louis L’Amour. Sam Elliott atuou em cinco filmes para o cinema entre 1987/1990, até que em 1991 escreveu em parceria com sua esposa Katharine um roteiro baseado em história de Louis L’Amour, para o western “Conagher”. Além de estrelar a lado de Katharine Ross, Elliott foi também o produtor desse belo faroeste que se tornou um grande sucesso a cada exibição na televisão. Elliott interpreta Con Connagher, cowboy errante que chega a um posto de parada de diligência administrado por Evie Teale (Katharine Ross), mulher abandonada pelo marido. Desnecessário dizer que esse é o filme preferido de Sam Elliott.

Cenas de "Marcas do Destino": Sam, Eric Stoltz e Cher; Sam e Cher na motocicleta.

Sam Elliott e Cibyll Shepherd no seriado "Yellow Rose"; Sam e Katharine
Ross em "Convite à Morte" e em "Conagher".

Sam Elliott em "No Rastro da Violência" vendo-se Bill Conti e
Kate Capshaw ao fundo; pôster de "No Rastro da Violência".

Cenas de "Os Cavaleiros das Sombras": Sam Elliott entre Tom Selleck e
Ben Johnson; Sam Elliott e Tom Selleck.

Sam Elliott como o General
John Buford.
Personagens históricos - Em 1993 Sam Elliott participou de duas grandes produções westerns, uma para o cinema e outra para a TV. A primeira foi “Tombstone – A Justiça Está Chegando” (Tombstone), de George Pan Cosmatos, em que Elliott interpreta Virgil Earp. O outro filme foi o drama histórico “Anjos Assassinos” (Gettysburg), elogiadíssimo pela critica e que teve posteriormente lançamento nos cinemas. Nessa produção de Ted Turner, Sam Elliott interpreta o General de Brigada John Buford, da União. O porte, a voz grave e ressonante e a marcante interpretação de Sam Elliott nesses filmes não passaram despercebidas e o gênero western já tinha um ídolo do calibre dos grandes atores dos bons tempos do faroeste. Sempre lembrado para interpretar personagens famosos, Sam Elliott foi Wild Bill Hickok no TV-movie “As Últimas Pistoleiras” (Buffalo Girls), com Anjelica Houston como Calamity Jane. Entre os diversos trabalhos (filmes para a TV) de Sam Elliott merece ser lembrado “The Desperate Trail”, com Linda Fioretino no principal papel feminino. Em 1998 Elliott interpretou o Stranger (Estranho) em “O Grande Lebowski”, dos irmãos Coen, filme Cult protagonizado por Jeff Bridges. Nesse mesmo ano Elliott participou de “Terra de Paixões” (The Hi-lo Country), filme que Sam Peckinpah tanto quis fazer, falecendo, no entanto, sem conseguir. Outro personagem real e famoso que Sam Elliott interpretou foi Bill Tilghman “O Último Xerife” (You Know My Name), TV-movie contando a vida de Tilghman, que conviveu com Wyatt Earp.

Sam Elliott acompanhado por Val Kilmer, Bill Paxton e Kurt Russell
 em "Tombstone - A Justiça Está Chegando";
à direita Sam Elliott em "O Último Xerife".

Sam Elliott em "Motoqueiro Fantasma".
Ator carismático - À medida que foi envelhecendo, a figura carismática de Sam Elliott se tornou cada vez mais impressionante e produtores que quisessem um ator para interpretar um personagem forte sempre lembravam de Elliott.  Com seu modo peculiar de olhar, abaixando a cabeça e erguendo os olhos, como fazia Lauren Bacall, Elliott esteve, em 2002 ao lado de Mel Gibson no filme de guerra “Fomos Heróis”, roubando as cenas do australiano, o astro do filme. Em “Hulk” (2003), Sam Elliott volta a interpretar um militar, o General Ross. Em 2006, o suspense “Avenger”, filme feito para a TV, foi o último papel principal de Sam Elliott que a partir de então passou à condição de coadjuvante ou a fazer participações especiais. Sam Elliott nunca conseguiu decidir se gostava mais de cavalos ou de motocicletas e em 2007 atuou em “Motoqueiro Fantasma”, estrelado por Nicolas Cage e também com Peter Fonda no elenco. Quando não atua em filmes, seja para a TV ou para o cinema, Sam Elliott empresta sua voz inconfundível para narrações e para comerciais e em 2014, ano em que completa 70 anos, Sam atuou em dois filmes, ambos em fase de pós-produção. Além desses trabalhos Sam faz a voz de ‘Fleetwood Yak’, no desenho “Rock Dog.

Sam Elliott com Nicolas Cage e com Mel Gibson.

Sam Elliott criticando a política desarmametista
do governo norte-americano.
Último cowboy do cinema e da TV - Os astros John Wayne, Gary Cooper e Glenn Ford nunca deixaram dúvidas que eram verdadeiros cowboys. Já atores como Burt Lancaster, Kirk Douglas, James Stewart, Gregory Peck, Henry Fonda e tantos outros eram brilhantes intérpretes que passavam por cowboys na tela. Sam Elliott pertence ao primeiro grupo pois quando ele surge em cena o que se vê é um autêntico homem do oeste, daqueles capazes de enfrentar a dura lida de vaqueiro e confrontar os foras-da-lei . Não sem razão, Elliott é tido como o último herói do Oeste do cinema e da TV. Apaixonado por armas de fogo, as quais coleciona, Elliott apareceu numa publicidade criticando a campanha governamental pelo desarmamento, críticas que também ocorre no Brasil. Katharine Ross havia se casado quatro vezes quando em 1984, aos 44 anos, desposou Sam Elliott, com quem encontrou a felicidade e com quem forma um dos casais mais simpáticos de Hollywood. Hoje, dia 9 de agosto de 2014, Sam Elliott chega aos 70 anos e é, sem dúvida, o ator que melhor personificou um cowboy no cinema nas últimas décadas. Parabéns, Sam!


O casal Katharine Ross e Sam Elliott.

Sam Elliott, um dos rostos preferidos de pintores e desenhistas.

Sam Elliott sempre em evidência nas publicações voltadas para o Oeste.


2 comentários:

  1. OI, DARCI!
    ACHO QUE SAM ELLIOT É DA MESMA LINHAGEM DE ATORES COMO ROBERT RYAN E WARD BOND, OU SEJA, GERALMENTENTE SÃO PROTAGONISTAS SOMENTE EM FILMES BS, NO CASO DE ELLLIOT SERIAM OS TELEFILMES, E COADJVANTES NAS PRODUÇÕES AS, DAQUELES QUE SE DESTACAM OU "ROUBAM" O FILME MESMO. PENA QUE ELLIOT FAÇA PARTE TAMBÉM DE OUTRA LINHAGEM, OS DE OPINIÕES DISCUTÍVEIS, PARA DIZER O MÍNIMO, COMO JOHN WAYNE E O GRANDE CHARLTON HESTON. PROPAGANDA CRITICANDO O DESARMAMENTO? NUM PAÍS ONDE NEM UMA BASE MILITAR ESTEVE SEGURA DE SER ALVO DE UM DOS INÚMEROS MASSACRES QUE VIVEM OCORRENDO POR LÁ. BOM, É MELHOR A GENTE SE FOCAR NO TALENTO E NA OBRA DESSE PESSOAL, QUE É ISSO O QUE VALE PARA NÓS FÃS, E NESSE CASO, ESSA HOMENAGEM A SAM ELLIOT É MAIS QUE BEM-VINDA. ABRAÇO.
    ROBSON

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    1. Olá, Robson
      Opiniões são um direito de cada um, ainda que sejam polêmicas, como é o caso dessa emitida por Elliott que não está sozinho no que pensa, em que pese os incontáveis massacres.
      Bem lembrado Sam Elliott na mesma linhagem de Robert Ryan e Ward Bond, ainda que Robert Ryan seja, na minha opinião, um ator excepcional.
      Abraço do Darci

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