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19 de dezembro de 2012

QUADRILHAS DOS FAROESTES (XII) – OS BANDOS DE “WINCHESTER 73”


Um dos clássicos do gênero western, “Winchester 73” é um faroeste completo pois tem índios, cavalaria, uma disputa de pontaria, jogo de pôquer brigas, tiroteios e muitos bandidos. Há no filme de Anthony Mann não apenas um, mas dois bandos. O primeiro bando que aparece é liderado por Stephen McNally, com destaques para James Millican e Steve Brodie; no decorrer do filme aparece o bando de Dan Duryea, com destaques para John Doucette e Abner Biberman. Para assaltar o banco de Tascosa, Dan Duryea une-se aos homens de McNally, então contando também com Chuck Roberson. Esses bandidos merecem que se fale deles pois formaram em “Winchester 73” uma das inesquecíveis quadrilhas dos faroestes.

Dan Duryea
Dan Duryea foi modelo de Lee Marvin e isso bastaria para transformá-lo num dos maiores homens maus do cinema de todos os tempos. WESTERNCINEMANIA já biografou o ator com a postagem ‘Dan Duryea, Bandido Cínico e Perverso’. Além de Lee Marvin, Duryea certamente influenciou também Richard Widmark. Aquele sorriso sinistro que se tornou marca registrada de Widmark nada mais era que o aperfeiçoamento do perverso e ameaçador riso que Dan Duryea criou e tantas vezes já havia mostrado nos filmes que fez. Quando Dan Duryea entra em cena em "Winchester 73", nem mesmo um ator do porte de James Stewart resiste à marcante presença do famoso bandido.

Stephen McNally
Stephen McNally foi bandido em “Winchester 73”, mas em outros filmes esteve do lado da lei ou defendendo a América em filmes de guerra. McNally nasceu em Nova York em 1913 e começou no cinema em 1942, usando seu nome verdadeiro que era Horace McNally. Nos anos 50 adotou o nome artístico que o tornou famoso pelos muitos filmes nos quais atuou com destaque para os policiais e faroestes. Entre os mais famosos estão “Baixeza”, “Onde Impera a Traição”, “A Ferro e Fogo”, “A Caravana da Morte”, “Com o Dedo no Gatilho”, “Honra a um Homem Mau” e “Sábado Violento”. Stephen McNally faleceu em razão de problemas cardiácos em 1994, em Los Angeles, aos 80 anos de idade.

Steve Brodie ao lado de Tim Holt nos tempos da RKO.
Steve Brodie nasceu em El Dorado, no Kansas, em 1919, começando no cinema em 1944. Seu primeiro faroeste foi “A Lei dos Homens Maus”, de 1946, estrelado por Randolph Scott no qual Brodie  interpretou o bandido ‘Bob Dalton’. Assinando contrato com a RKO, Steve Brodie atuou em faroestes ‘B’ de Tim Holt, até conseguir melhores papéis em filmes como “Rancor” e “Fuga do Passado”. Em 1948, no western “A Volta dos Homens Maus”, com Randolph Scott, Steve Brodie voltou a interpretar um bandido famoso, desta vez ‘Cole Younger’. Brodie pode ser visto também em “O Amanhã que não Virá”, “Capacete de Aço”, “Resistência Heróica” e “Região do Ódio”. Pessoa muito alegre e comunicativa, Steve Brodie participou no fim de carreira dos filmes de Elvis Presley “Feitiço Havaiano” e “Carrossel de Emoções”. Brodie marcou presença na série de TV “Wyatt Earp”, interpretando o xerife ‘Johnny Behan’. Steve Brodie faleceu na Califórnia, em 1992 aos 72 anos, vitimado por um câncer.

Cartaz anunciando aula do Dr. John Doucette.
John Doucette era filho de um sapateiro e como seu pai não parava em cidade alguma, Doucette estudou em 32 escolas diferentes. Com dificuldade o jovem nascido em 1921, no Massachussetts, conseguiu estudar Arte Dramática e se tornar ator. Doucette fez muito teatro antes de ser convocado para se tornar soldado do Exército e nessa condição passou três anos defendendo seu país na Europa, fazendo parte das tropas do General Patton. No retorno começou a carreira de ator em 1947. Mesmo com sua bagagem de ator de teatro, John Doucette sempre esteve restrito a papéis secundários nos quais nunca deixou de mostrar competência. John Doucette pode ser visto em muitos westerns, entre eles “Serras Sangrentas”, “Flechas de Fogo”, “Matar ou Morrer”, “Os Mal-Encarados”, “Região do Ódio”, “Antro da Perdição”, “Gatilho Relâmpago”, “Os Filhos de Katie Elder”, “Nevada Smith”, “Bravura Indômita”e “Jake, o Grandão”. John Doucette teve oito filhos, cinco homens e três mulheres e era um desses atores a quem faltou um pouco de sorte pois não lhe faltava técnica interpretativa. Aos 50 anos de idade Doucette passou a lecionar Arte Dramática na Universidade de Portland, onde recebeu o título de Doutor e mais tarde na Escola de Teatro de Palo Alto, na Califórnia. John Doucette contraiu câncer e faleceu na cidade de Cabazon, na Califórnia, aos 73 anos, em 1994.

Abner Biberman
Abner Biberman é mais conhecido como diretor que como ator. Entre os filmes que dirigiu estão “Hienas Humanas”, “Atrás das Grades”, “Arma para um Covarde” e “Loucura Assassina”. Nascido em 1908, no Wisconsin, Abner Biberman foi instrutor de voo durante a 2.ª Guerra Mundial. Ator de teatro, Biberman acumulou grande experiência, atuando como professor de atores novos na Universal International. Foi com ele que Tony Curtis tomou sua primeira aula como ator. Com suas feições eurasianas, Abner Biberman era perfeito para interpretar personagens étnicos como ‘Chota’ em “Gunga Din”. Sempre como tipos exóticos, Biberman pode ser visto em “As Chaves do Reino”, “Capitão Kidd”, “A Estirpe do Dragão”, “Viva Zapata” e “No Caminho dos Elefantes”. Quando passou a se dedicar mais à direção, na TV, Biberman dirigiu muitos episódios das séries “Além da Imaginação”, “Maverick”, “Os Intocáveis”, “O Homem de Virginia”, “Ben Casey” e “Havaí 5-0”, entre outras séries. Abner Biberman faleceu em 1977, aos 68 anos, em San Diego, na Califórnia.

James Millican em "Matar ou Morrer".
James Millican nunca será esquecido pelos fãs de faroestes pois interpretou um dos covardes que abandonam Will Kane (Gary Cooper) à própria sorte em “Matar ou Morrer”. E raras vezes Millican interpretou bandidos estando quase sempre ao lado da lei e como amigo dos heróis dos filmes. Nascido em Nova Jersey em 1910, Millican estreou no cinema em 1932 em uma ponta no filme “O Sinal da Cruz”, de Cecil B. DeMille. Apesar de seu bom tipo físico e simpático ar irlandês, James Millican continuou fazendo pontas pelos próximos 15 anos, entre elas um policial em “Do Mundo Nada se Leva”, de Frank Capra. No final dos anos 40 as coisas começaram a melhorar para James Millican que participou de “Trágica Decisão”, “No velho Colorado”, “Rivais em Fúria” e “A Gangue dos Daltons”. Na virada da década Millican esteve no elenco de alguns dos mais importantes westerns daqueles anos, ou seja, “O Matador”, “Winchester 73”, “O Caminho do Diabo” e “Correio do Inferno”, além do citado “Matar ou Morrer”. O rosto de James Millican ae tornoue familiar aos fãs de faroestes e Millican interpretou ‘Wyatt Earp’ em “De Homem para Homem”, estrelado por George Montgomery. Millican foi o ‘General Crook’ em “O Grande Guerreiro” e atuou em “Um Certo Capitão Lockarth”, ambos filmes de Anthony Mann. O último filme do qual Millican participou foi “Onde Imperam as Balas”, com Rory Calhoun, pois lamentavelmente ele viria a falecer em 1955, aos 45 anos de idade.

John Wayne e seu dublê Chuck Roberson;
percebe-se que até mesmo o cinto é igual
com a fivela de "Rio Vermelho".
Chuck Roberson era mais conhecido como ‘Bad Chuck’ para não ser confundido com Chuck Hayward, este o ‘Good Chuck’. Ambos eram dublês dos melhores, na linha do grande Yakima Canutt. Nascido em 1919, no Texas, com o nome Charles Hugh Roberson e criado em meio a rancheiros, Chuck Roberson era um perfeito cowboy. Após se casar Chuck foi para Hollywood onde entrou para a o Departamento de Polícia local. Seu primeiro contato com o cinema foi quando foi designado para patrulhar a portaria da MGM. Depois de cumprir seu serviço militar Roberson foi designado para trabalhar portaria da Warner Bros. onde conheceu o stuntman Fred Kennedy que lhe disse: “Com essa sua altura (1,93) você pode ganhar muito mais dinheiro no cinema do que como policial". Kennedy levou Roberson para a Republic Pictures e logo foi notada a semelhança com John Wayne, grande astro do estúdio. Roberson se tornou o dublê oficial do Duke, que o introduziu na Ford Stock Company, grupo que acompanhava John Ford em quase todos seus filmes. De 1946 a 1988 Chuck Roberson dublou dezenas de atores em cenas perigosas em 134 filmes. Como ator Chuck apareceu em 136 filmes e em quase todos filmes de John Wayne a partir de 1948 pois muitas vezes dublava Wayne e fazia pontas como ator. Em “Winchester 73” é Roberson quem luta com James Stewart na porta do bar em frente ao banco em Tascosa. Facilmente reconhecível pelo seu porte físico, Chuck Roberson apareceu bastante como ator em “Da Terra Nascem os Homens”. Uma curiosidade é que em “Rastros de Ódio”, na cena do casamento de Vera Miles com Ken Curtis, casamento que não acontece, os dois Chucks são os bestmen (padrinhos). Roberson era um dos parceiros preferidos de John Wayne para jogar pôquer nos intervalos das filmagens. Chuck Roberson faleceu de câncer, aos 69 anos, na Califórnia, sendo mais um dos muitos que trabalharam em “Sangue de Bárbaros” que contraíram câncer.

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