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1 de março de 2011

GLENN FORD - SÓ FALTOU 'AQUELE WESTERN'...

Glenn Ford é, sem dúvida, um dos maiores atores-cowboys do cinema. Esse ator canadense, nascido em 1916, batizado como Gwyllyn Samuel Newton Ford, atuou no cinema norte-americano em uma extensa lista de westerns. Já no início de sua carreira, em 1941, estrelou ao lado de William Holden e Claire Trevor em “Gloriosa Vingança” (Texas). Após participar de “Império da Desordem” (The Desperadoes), com Randolph Scott e novamente Claire Trevor, Glenn Ford que era contratado da Columbia passou alguns anos longe da sela. Foi nesse período, nos anos 40, que se destacou como o galã número um daquele estúdio, fazendo par romântico com a maravilhosa e mais destacada estrela da Columbia que era Rita Hayworth. Primeiro foi em “O Protegido de Papai” (The Lady in question), depois veio “Gilda” que foi um estrondoso sucesso de bilheteria, seguido de “Os Amores de Carmen”. Todos esses filmes da dupla foram dirigidos pelo vienense Charles Vidor. Glenn e Rita viriam ainda a se reunir em dois outros filmes nos anos 50. A habilidade de cavaleiro de Glenn Ford e seu tipo perfeito como cowboy fizeram com que a Columbia o escalasse para outros faroestes como “No Velho Colorado” (The Man from Colorado), outra vez com William Holden, seguido de “Escravos da ambição” (Lust for Gold), com Ida Lupino. Veio então a memorável década de 50, período em que Glenn Ford participou de uma dezena de westerns de excelente qualidade, especializando-se nesse gênero mais que qualquer outro ator. Alguns de seus westerns desse período tornaram-se clássicos como “Ao Despertar da Paixão” (Jubal), “Galante e Sanguinário” (3:10 to Yuma) e “Como Nasce um Bravo” (Cowboy), todos dirigidos por Delmer Daves. “Gatilho Relâmpago” (The Fastest Gun Alive) é uma pequena e desprezada obra-prima, magnificamente bem interpretado por Glenn Ford. Outros westerns de Ford, decididamente acima da média, foram “Sangue por Sangue” (The Man from the Alamo), “Um Pecado em cada Alma” (The Violent Men) e “O Irresistível Forasteiro” (The Sheepman). Houve até a curiosidade intitulada “O Americano” (The Americano), filmada no Brasil  em 1955, um western com cenário amazônico. A década de westerns de Glenn Ford que havia se iniciado medianamente com “Mensagem dos Renegados” (The Redhead and the Cowboy), foi fechada com “Cimarron”, superprodução da MGM, baseada  em romance de Edna Ferber, a autora de “Giant”. Embora dirigido por Anthony Mann, “Cimarron” não foi o sucesso de público e de crítica esperado. Justamente nos anos 50, quando mais fez westerns é que Glenn Ford atuou em dois dos filmes mais importantes daquela década: “Os Corruptos” (The Big Heat) e “Sementes de Violência” (Blackboard Jungle). Glenn Ford foi o astro Número Um das bilheterias norte-americanas em 1958, ficando entre os Top Ten nos anos de 1956 (5.º) e 1959 (6.º). Nos anos 60 Glenn Ford começou a experimentar um lento declínio em sua carreira, mesmo atuando em bons westerns como “Ginetes Intrépidos” (The Rounders) e “O Céu a Mão Armada” (Heaven with a Gun). Esse declínio levou Glenn a se interessar pela TV onde já nos anos 70 teve sua própria série-western exibida no Brasil como “Glenn Ford é a Lei” (Cade’s County), ao lado de seu filho Peter Ford. E Glenn Ford seria nas telas o pai-adotivo de Clark Kent na superprodução “Super-Homem – O Filme”, de 1978, no qual também atuou Marlon Brando. Glenn Ford foi um dos mais competentes atores da história de Hollywood e a prova disso está na comédia “Casa de Chá Sob o Luar de Agosto”, fimada de encomenda para o sucesso de Brando que teve que se conformar em assistir Glenn Ford ser mais engraçado que ele Brando, numa das atuações inesquecíveis de Glenn Ford. Assim como inesquecível ele esteve em “Gilda”, em “Os Corruptos” e como o professor de “Sementes de Violência”. É curioso que um verdadeiro homem do Oeste, que a maior partde de sua vida morou em um rancho (‘Ford Ranch’, na Califórnia), e que cavalgava e atirava como ninguém, seja hoje mais lembrado por seus papéis em não-westerns. Talvez seja porque Glenn Ford não tenha tido a sorte de, entre tantos westerns, ter atuado em uma legítima obra-prima do gênero. Chegou perto em “Gatilho Relâmpago”, western que merece um comentário à parte.

2 comentários:

  1. De fato Glenn foi um ator inconfundível. Um astro de grandeza máxima e que tantas alegria proporcionou aos fãs do faroeste. O Iresistível Forasteiro, um western/comédia, me fez ir ao mesmo cinema mais de doze vezes seguidas. Adorava aquela fita. E em Casa de Chá ao Luar de Agosto, realmente Brando teve de ficar vendo Ford atuar. Ele esteve hilariante, perfeito. E ele foi perfeito em tudo o que fez, tanto que é muito mais lembrado pelos "não faroestes" que fez, como;(Sementes da Violencia, Os Corruptos, Gilda, e Carmem, conforme cita com eficiencia nosso Darci,do que pelos filmes que mais fez na vida, que foram os westerns.
    Agora eu tenho uma coisa a falar; ele fez sim muitos bons faroestes. Classe A? Talvez não. Mas Um Pecado em Cada Alma merece uma linha de destaque. Foi um pouco acima da média dos faroestes que fez. Alem de ter o apoio no elenco de Barbara Stanwick, Edward G. Robinson e Brian Keith. Um faroeste resvalando entre a classe A/B. Já no faroeste onde ele poderia ser lembrado eternamente, que seria o filme baseado na obra de Edna Ferber, Cimarrom, sinceramente não sei o que não deu certo naquela fita. Ela tinha tudo para o sucesso, mas acho que Mann talvez não tenha a mesma mão que Stevens, que fez de Giant aquela beleza de filme. Pode ter sido isso, como pode ter sido o roteiro, a montagem ou algo assim. Mas a verdade é que Cimarrom ficou a dever.
    E quando o nosso heroi nos deixou um jornal colocou como titulo; "FECHAM-SE OS OLHOS QUE VIRAM GILDA". Uma das frases mais belas, bem oportunas e feliz que já vi na vida.

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  2. Glenn Ford, pelo 'conjunto da obra' estará sempre entre os grandes cowboys de Hollywood. Fazer cinema parece fácil mas não é; fazer superproduções deve ser ainda mais. Mann, apesar dos épicos El Cid e A Queda do Império Romano, deixou sua marca mesmo foi nos westerns, especialmente a série com Jimmy Stewart.

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