UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

21 de setembro de 2011

O 'GÊNIO' QUE SEPAROU DALE EVANS DO REI DOS COWBOYS ROY ROGERS


Nunca houve no cinema um casal tão feliz nos filmes e na vida real como Roy Rogers e Dale Evans. Casamentos no cinema houve muitos, mesmo no círculo dos pequenos estúdios, como os enlaces de Don Red Barry-Peggy Stewart (1940-1944), Alan Rocky Lane-Sheyla Ryan (1945-1946) e Lash LaRue-Reno Browne. O casamento de Roy Rogers com sua querida Dale Evans durou 51 anos, só terminando com a morte do ator. E mais que isso, resultou em 28 filmes para o cinema e uma longa série de sete anos para a televisão. E tem muita gente que quando se fala em casais no cinema só lembra de Lucille Ball-Desi Arnaz, Katharine Hepburn-Spencer Tracy, Doris Day-Rock Hudson ou William Powell-Myrna Loy, os três últimos, por sinal, nem casados eram.

UM GÊNIO CHAMADO YATES - Roy Rogers fez seu primeiro filme aos 24 anos, em 1935, enquanto Dale Evans só estreou no cinema em 1942, aos 30 anos de idade. Encontraram-se em 1944 no filme “Pulseira Misteriosa” (Cowboy and the Señorita), da série Roy Rogers na Republic Pictures. Roy Rogers havia tido uma longa série de partners entre elas Penny Edwards, Pauline Moore, Joan Woodbury, Helen Talbot, Estelita Rodrigues, Adrian Booth, Peggy Stewart, Carol Hughes, Jacqueline Wells, Sheyla Ryan, Sally Payne, Ethel Wales, Ruth Terry, lembrando apenas as mais conhecidas. Roy Rogers teve como leading-lady até mesmo uma certa Doris Day, homônima da grande atriz e cantora. Certa ocasião, o dono da Republic, o detestado Herbert J. Yates, cismou de juntar Roy Rogers com a linda Lynne Roberts. Só que antes Yates decidiu que ela deveria mudar de nome, passando a se chamar Mary Hart. E com esse nome fez sete filmes com Roy Rogers nos anos de 1938 e 1939 apenas porque o gênio Herbert J. Yates considerava que a dupla Rogers e Hart da Republic faria sucesso igual aos imortais compositores (Richard) Rogers e (Lorenz) Hart.


Alguns dos westerns de Roy Rogers com a atriz Lynne Roberts
que o 'iluminado' Yates cismou em mudar o nome para Mary Hart

CASAMENTO REAL - Roy Rogers parecia haver encontrado a partner perfeita em Dale Evans, tanto que nos anos de 1944 a 1946 fizeram 15 filmes juntos e o público os identificava como o mais perfeito casal de mocinho e mocinha das telas. Roy era o King of the Cowboys e Dale a Queen of the Cowboys. Em 1946 Dale Evans se divorciou de seu terceiro marido, ficando portanto disponível para novo casamento, caso alguém se interessasse. Roy Rogers, por sua vez, ficou viúvo também em 1946, cumprindo aquele período normal de luto, após o que também estava disponível. Ora, o que poderia acontecer senão o Rei e a Rainha dos Cowboys se casarem? Provavelmente já estivessem se gostando a bastante tempo, mas só se casaram em dezembro de 1947, 13 meses depois da viuvez de Roy Rogers. O casamento foi o maior acontecimento do ano não só na Poverty Row, mas em toda Hollywood, pois Roy Rogers era um dos artistas que mais lucro davam em Hollywood, tanto que em 1946 foi o 10.º colocado entre os Top Ten Money Makers Stars, atrás de Bing Crosby, Ingrid Bergman, Van Johnson, Gary Cooper, Bob Hope, Humphrey Bogart, Greer Garson, Margaret O’Brien e Betty Gable. Esta certo que era tempo de guerra, mas John Wayne, Barbara Stanwyck, Katharine Hepburn, Spencer Tracy, Joan Crawford, James Cagney e tantos outros não foram lutar contra o Eixo...

Roy e Dale separados pelo dono da Republic;
Dale Evans mostrando que era uma bela atriz
O DITADOR DA REPUBLIC - A felicidade havia se instalado não só na Republic Pictures, mas em cada um dos fãs de Roy e Dale, em sua predominância crianças. Eis que ressurge o ditador do estúdio com mais um lampejo de sua genialidade. Herbert J. Yates chamou o casal Roy e Dale e informou que eles não mais atuariam juntos pois o público, segundo ele, não iria ao cinema ver filmes onde um cowboy conquista a própria mulher. De nada adiantaram as ponderações do casal e de todos que trabalhavam na Republic. Yates, sem contemplação, separou Roy Rogers de Dale Evans. A partir de “Primavera nas Serras” (Springtime in the Sierras), em 1947, Roy Rogers teve como partner Jane Frazee em cinco filmes, Adele Mara, Gail Davis e a linda Lynne Roberts (a ex-Mary Hart, lembram?). Roy Rogers mantinha-se como o Cowboy N.º 1 na preferência dos frequentadores das matinês, mas seus filmes não eram os mesmos. Estava faltando algo. Algo, não, alguém e esse alguém era Dale Evans. Durante o tempo em que esteve distante do marido nas telas, Dale Evans atuou em dois filmes policiais que foram “The Trespasser”, com Warren Douglas e “Slippy McGee”, com Don Red Barry. Roy Rogers sempre foi um homem cordato e de boa índole, incapaz de fazer ameaças a alguém senão teria pressionado Yates. Mas não foi preciso pois o onipotente mogul da Republic reuniu Dale e Roy novamente em “Mistério do Lago” (Susanna Pass). E desta vez foi para sempre porque dois anos depois, em 1951, seria rodado “Reduto de assassinos” (Pals of the Golden West), último filme de Roy e Dale para a Republic. Partiram para uma nova vida distante daquele autocracia chamada Republic Pictures onde tinham que fazer tudo que o dono da casa ordenava. Roy e Dale fundaram a produtora própria e passaram a fazer filmes para o novo veículo que passava a dominar o cenário do show-business, a televisão. Desnecessário dizer que ficaram milionários e melhor que isso, felizes para sempre longe do tiranete da Republic.



19 de setembro de 2011

QUADRILHAS DOS FAROESTES (IV) - OS SOBRINHOS DE UNCLE SHILOH CLEGG


"Caravana de Bravos” é uma pequena obra-prima de John Ford que dizia ser este o filme preferido entre os que dirigiu. Durante o avanço em direção à terra prometida, em Utah, a caravana é atacada por uma quadrilha procurada pela justiça. Essa quadrilha é chefiada por Shilloh Clegg que comanda seus sobrinhos Floyd, Reese, Luke e Jesse com crueldade e com maior crueldade ainda trata os membros da caravana. Quem assistiu a esse western de John Ford nunca esquecerá do bando dos Cleggs, quase todos atores pouco conhecidos assim como pouco conhecido é o próprio filme. Pelo menos um desses bandidos ficou famoso como mocinho na televisão. Vale a pena lembrar dessa grande quadrilha dos westerns.




CHARLES KEMPER (Uncle Shilloh Clegg) – Nascido em 1900 em Oklahoma, chegou ao cinema depois de ter atuado muitos anos no teatro. Seu brutal personagem em “Caravana de Bravos” poderia ter proporcionado muitos outros papéis a Charles Kemper, porém ele faleceu aos 49 anos em um desastre de automóvel em Burbank, na Califórnia. “Amor à Terra” (The Southerner) foi o primeiro longa-metragem em que atuou, dirigido por Jean Renoir e com Zachary Scott. Apareceu depois em “Almas Perversas” (Scarlett Strett), de Fritz Lang. Seu primeiro western foi “King of the Wild Horses”, estrelado por Preston Foster. Em seguida atuou em “Terra de Paixões” (The Gunfighters), com Randolph Scott; “A Voz da Honra” (Fury at Furnace Creek), com Victor Mature; “A Filha da Foragida”, com George Montgomery; “Céu Amarelo” (Yellow Sky), com Gregory Peck. Charles Kemper faleceu em 12/5/1950, um mês depois do lançamento de “Caravana de Bravos”. Seu último filme foi “Cinzas que Queimam”, de Nicholas Ray, lançado em 1952.



JAMES ARNESS (Floyd Clegg) – James King Aurness nasceu em 26 de maio de 1926, em Minneapolis e fez jus ao nome pois se tornou um verdadeiro Rei na televisão norte-americana interpretando por longos 20 anos o Marshall Matt Dillon no seriado “Gusmoke”. Com 2,01 metros de altura Arness teve dificuldades em atuar no cinema pois transformava qualquer ator em mero baixinho. Participou de dois clássicos de ficção-científica que foram “O Monstro do Ártico”, no qual interpretou ‘A Coisa’ e depois “O Mundo em Perigo”. Antes de atuar com John Wayne em “Caminhos Ásperos” (Hondo), já havia trabalhado outras duas vezes com o Duke, de quem ficou amigo. Wayne foi quem o indicou para estrelar a série “Gunsmoke” para a qual ele Duke havia sido convidado. Bastante ativo não só como ator mas também como produtor, James Arness era irmão mais velho de Peter Graves. James Arness aposentou-se em 1994 interpretando pela última vez o Marshall Matt Dillon.



FRED LIBBY (Reese Clegg) – O menos conhecido dos membros do bando de Uncle Cleeg é Fred Libby, mas o que não faltou foram oportunidades para que sua carreira deslanchasse, mas infelizmente Fred Libby nunca conseguiu se sobressair como ator. Nascido em 15 de outubro de 1915, em Hopedale, Massachusets, Fred Libby estreou no cinema dirigido por John Ford na obra-prima “Paixão dos Fortes” (My Darling Clementine), em 1946, interpretando Phin Clanton. Esteve muitos outros filmes de John Ford como “O Céu Mandou Alguém”, “Legião Invencível”, “O Preço da Glória” e “Audazes e Malditos”. Atuou com John Wayne em “No Rastro do Bruxa Vermelha” e “O Lutador de Kentucky”. Com mais de 1,90 de altura, Fred Libby era sempre chamado para fazer figurações como guerreiro, guarda ou detetive, raramente conseguindo ter seu nome nos créditos. Sua última participação no cinema foi como um repórter em “O Homem de Álcatraz”, estrelado por Burt Lancaster, também sem receber crédito. Libby faleceu em 8/11/1987.



HANK WORDEN (Luke Clegg) – A especialidade de Hank Worden era interpretar sujeitos abobalhados, tipos que começou a viver no cinema em dezenas de westerns B, muitos deles estrelados por Tex Ritter. Sua mais perfeita caracterização aconteceu em “Rastros de Ódio”, interpretando o inesquecível Mose Harper. Seu primeiro encontro com John Ford foi em “Sangue de Heróis”, em 1948, passando a fazer parte da Ford Stock Company, grupo de atores e técnicos que sempre acompanhavam o premiado diretor. Entre os filmes mais conhecidos em que Hank Worden atuou estão “Rio Vermelho”, “Rio da Aventura”, “Dragões da Violência”, “Marcha de Heróis”, “O Álamo”, “A Face Oculta”, “Bravura Indômita”, “Chisum” e “Rio Lobo”. Em final de carreira Hank Worden atuou em dois filmes de Clint Eastwood. Nascido em 1901em Rolfe, Iowa, com o nome de Norton Earl Worden, na vida real Hank Worden era engenheiro de formação e muito inteligente, ao contrário dos personagens que interpretava. Faleceu aos 91 anos, em 6/12/1992 e seu último trabalho foi na série “Twin Peaks”, ara a TV, em 1991.



MICKEY SIMPSON (Jesse) – Charles Henry Simpson nasceu em Rochester, no Estado de Nova York, em 1913, filho de pais irlandeses e com o nome de Charles Henry Simpson. Aos 20 anos media 1,98 e muito forte lutou boxe antes de ser motorista de Claudette Colbert. Daí até atuar em filmes foi um pequeno passo. Com o nome de Mickey Simpson fez uma ponta em “No tempo das Diligências”, foi um dos filhos de Old Man Clanton em “Paixão dos Fortes”, atuou em “Sangue de Heróis” e “Legião Invencível”, todos dirigidos pelo Mestre John Ford. Nos anos 50 fez uma memorável luta com Rock Hudson na famosa cena da lanchonete em “Assim Caminha a Humanidade”. Participou dos westerns “Sem Lei e Sem Alma”, “Minha Vontade é Lei” e “Rio Conchos”. Mickey Simpson tinha uma certa semelhança com Johnny Weissmuller e atuou em “Tarzan e a Caçadora” estrelado por Weissmuller. O grandalhão Mickey Simpson faleceu aos 71 anos de idade em 1985.

18 de setembro de 2011

16 de setembro de 2011

GEORGE STEVENS FILMANDO “SHANE” – O MAIS METICULOSO DOS DIRETORES


Certa vez perguntaram a Frank Sinatra se ele aceitaria ser dirigido por George Stevens. Sinatra estava num dos melhores momentos de sua extraordinária carreira e como ator fazia o que queria, quando queria, como queria e com quem queria. A resposta do cantor foi uma cutucada na fama de Stevens: “Só se eu for pago por cena rodada e não por cena finalizada. Houve um momento na carreira de George Stevens em que nenhum ator famoso queria ser dirigido por ele simplesmente para não ser submetido às absurdas exigências do diretor, o mais perfeccionista de todos quantos já atuaram em Hollywood. Liz Taylor foi uma exceção, tendo atuado três vezes sob as ordens de George Stevens na sua chamada fase mais elaborada. Um bom exemplo da forma de Stevens dirigir e se dar por satisfeito com uma sequência foram as filmagens de “Os Brutos Também Amam” (Shane).

REPETINDO A MESMA CENA DEZENAS DE VEZES - Esse brilhante western tem 117 minutos de duração e há uma sequência que dura exatos 2 minutos e 40 segundos na tela, quando o pequeno Joey Starrett (Brandon De Wilde) pede a Shane (Alan Ladd) para que este lhe ensine a atirar. Essa cena que quando projetada parece ser bastante simples, levou dois dias para ser feita (dias 10 e 11 de agosto de 1951). No dia 10 Stevens exigiu que fossem feitas 72 tomadas com a câmara posicionada em 29 diferentes ângulos. Por vezes a diferença entre a posição da câmara era de centímetros mais para cima, para baixo, para trás ou para um dos lados. Para essas pequenas movimentações de câmara e de iluminação foram gastas 2h44. Já haviam sido gastas duas horas em ensaios com a presença de Ladd, Jean Arthur e Brandon De Wilde. As filmagens propriamente ditas levaram mais 2h45 e aí o dia acabou com todo mundo querendo falar algumas coisas para Stevens, mas quem é que tinha coragem para isso? E ele anunciou que a cena continuaria no dia seguinte quando foram feitas outras 47 tomadas de 16 posições diferentes, gastando mais 2h43 para a preparação do set de filmagem, 1h22 para os ensaios (já haviam ensaiado exaustivamente um dia antes) e as filmagens foram feitas em 1h44. O resultado de todo esse trabalho foram oito tomadas com Joey pedindo a Shane para que o ensinasse a atirar; 11 de Shane mostrando como sacar; 12 do pistoleiro disparando; 15 tomadas da pobre pedra levando bala; seis closes mostrando o rosto estupefato de Joey e outras cinco tomadas de Marian dizendo a Shane que já há pistolas demais no vale.

G. Stevens coçando a cabeça durante a
edição de "Os Brutos Também Amam"
DESPERDÍCIO DE FILME - Foram levados para o laboratório um total de 3h59 de negativos para serem revelados e, como foi dito, a cena dura apenas 2 minutos e 40 segundos. George Stevens passou seis meses na sala de edição da Paramount editando “Os Brutos Amam”, num trabalho quase solitário e que só incomodava Adolfo Zukor, o presidente do estúdio que não sabia o que fazer com o filme que estourara orçamento, planos de filmagem e muitas paciências. Como resultado foi cortada inteiramente a sequência do relacionamento de Chris (Ben Johnson) com Susan Lewis (Janice Carroll), bem como reduzidas ao mínimo as sequências que tomaram dias para serem feitas como o incêndio no rancho de Fred Lewis que na tela dura apenas 10 segundos. Por baixo, com o desperdício de material que ocorreu em “Os Brutos Também Amam” daria para rodar pelo menos uma dúzia de outros westerns.

FESTA QUANDO “SHANE” ACABOU - Jean Arthur, aos 51 anos abandonou a carreira após interpretar Marian Starrett. Ela que já havia trabalhado com Stevens em outros dois filmes nos anos 40 disse que ele havia mudado muito e que o diretor se tornara uma pessoa sisuda e sem alegria. Alan Ladd e Van Heflin ficaram amigos durante as filmagens e juntos bebiam quase tudo aquilo que havia nas adegas de Jackson Hole para esquecer um pouco do chefe Stevens. Conta-se que Alan Ladd, mesmo sendo uma pessoa discreta e quase tímida, promoveu (ele próprio e não a Paramount) uma festa quando as filmagens de “Shane” chegaram ao fim. Responsável por clássicos do cinema como “Gunga Din”, “Ritmo Louco”, “Um Lugar ao Sol” e “Assim Caminha a Humanidade”, George Stevens dirigiu 20 filmes nos seus primeiros 20 anos como diretor (descontados os curta-metragens). Nos últimos 20 anos de carreira, depois de “Os Brutos Também Amam”, Stevens dirigiu apenas quatro filmes (“Assim Caminha a Humanidade”, “O Diário de Anne Frank”, “A Maior História de Todos os Tempos” e “Jogo de Paixões”).

SUCESSO DE PÚBLICO E CRÍTICA - George Stevens dirigiu três dos cem melhores filmes norte-americanos de todos os tempos, segundo a listagem da American Film Institute (AFI), respectivamente “Os Brutos Também Amam” (69.º), “Assim Caminha a Humanidade” (82.º) e “Um Lugar ao Sol” (92.º), o que faz dele um dos mais importantes diretores de Hollywood, isto numa geração onde a concorrência tinha nomes como Wyler, Capra, Ford, Hanks, Welles, Wylder, Hitchcock e outros. E mesmo com sua forma vagarosa, dispendiosa e irritante de trabalhar, Stevens legou ao gênero western a obra-prima chamada “Shane” para alegria eterna dos fãs de faroestes. E Adolfo Zukor não teve do que se queixar pois “Os Brutos Também Amam” custou em valores corrigidos 26 milhões de dólares e rendeu170 milhões, sendo até hoje o terceiro western de maior bilheteria na história do cinema, atrás apenas de “Duelo ao Sol” e “Banzé no Oeste”.

N.R. – Os dados referentes às filmagens de “Os Brutos Também Amam” foram extraídos do livro ‘Shane’, de autoria de Paulo Perdigão.

15 de setembro de 2011

STEVE McQUEEN, O COWBOY ANTI-HERÓI


Ele tinha a indiferença e frieza de Humphrey Bogart somadas porém à rebeldia de James Dean, isto nos conturbados anos 60 em que os jovens procuravam no cinema o que haviam encontrado na música com Bob Dylan e com os Beatles. Steve McQueen parecia ser essa resposta e seu amor pela velocidade completou uma das imagem mais perfeitas de uma época. Milhões de quartos de jovens no mundo inteiro tinham na parede o famoso poster de McQueen pilotando uma motocicleta alemã, foto extraída do filme “Fugindo do Inferno”. Mesmo fazendo poucos westerns Steve é também lembrado como um cowboy, ainda que tenha declarado que não gostava muito de cavalos. Porém quando empunhou seu rifle, colocou o surrado chapéu e saiu à caça dos bandidos Steve McQueen deixou uma marca muito forte e pode-se afirmar sem medo de errar que nunca houve um cowboy tão anti-herói como Steve McQueen.

REBELDE E SEM RUMO - Nascido em 24 de março de 1930, em Beech Grove, Indiana, o menino Terence Steve McQueen foi uma das muitas vítimas da depressão. Seu pai era um piloto de atrações de circo do tipo globo da morte que abandonou a esposa adolescente e o filho recém-nascido. Sua mãe tornou-se alcoólatra e Terence foi entregue a parentes, e cedo fugiu de casa. A infância e a adolescência de Terence foi toda ela passada em orfanatos, abrigos e reformatórios depois de pequenos roubos. Sem saber o que fazer da vida alistou-se na Marinha norte-americana, conseguindo se disciplinar e recebendo até condecorações. Porém seu jeito taciturno, solitário e rebelde falou mais alto e ele deixou a vida militar. A primeira coisa que fez foi comprar uma Harley Davidson ganhando dinheiro em competições. Steve McQueen trabalhou até como figurante num filme, em 1953, o que o levou a cogitar vir a ser ator. Certo dia, trabalhando como mecânico, viu chegar na oficina uma motocicleta pilotada por James Dean e na garupa estava um outro jovem alto, magro e feio. Não precisou de muita conversa para que fosse mudado o rumo da vida de Steve McQueen. Ele se inscreveu e participou de uma audição dirigida por Lee Strasberg no Actor’s Studio em 1955 concorrendo com outros dois mil candidatos. Strasberg selecionou apenas dois candidatos, ele, Steve McQueen, e o alto, magro e feio amigo de James Dean que se chamava Martin Landau. Após muitas aulas Steve McQueen estreou no teatro substituindo Ben Gazarra na peça “Cárcere Sem Grades”. McQueen teve sua primeira oportunidade no cinema num pequeno papel no filme “Marcado pela Sarjeta”, estrelado por Paul Newman. Depois disso fez vários trabalhos para a televisão enquanto esperava por uma melhor oportunidade no cinema. McQueen atuou no misto de horror/ficção-científica “A Bolha”, em 1958, que acabou virando Cult mas que à época não acrescentou muito à sua carreira. Sua grande chance viria com a série “Procurado Vivo ou Morto” (Wanted Dead or Alive).

McQueen em uma folga de trabalho fazendo o que mais gostava
UM DOS SETE MAGNÍFICOS – Durante quatro anos, de 1958 a 1961, Steve McQueen estrelou a série “Procurado Vivo ou Morto” que era transmitido pela CBS sempre com ótima audiência. Esse programa transformou Steve McQueen numa celebridade interpretando o caçador de recompensas Josh Randall, sempre armado com sua famosa escopeta. Sucesso na televisão é quase uma garantia de melhores filmes em Hollywood e Steve McQueen atuou em “Quando Explodem as Paixões” com Frank Sinatra e fez o papel principal numa produção mediana intitulada “O Grande Roubo de St. Louis”. Em 1960 John Sturges estava compondo o cast para a versão norte-americana de “Os Sete Samurais” e chamou Steve McQueen para ser um dos sete homens desse western intitulado “Sete Homens e Um Destino” (The Magnificent Seven). McQueen leu o roteiro e pensou que iria interpretar o personagem Chico, que havia sido reservado para o alemão Horst Buchholz. McQueen teve que se contentar em ser Vin Tanner mas conseguiu fazer seu personagem crescer bastante, muito mais que o do ator alemão. Steve McQueen não tomou conhecimento do astro Yul Brynner que por diversas vezes reclamou com o diretor, dizendo que sempre que estava dizendo suas falas McQueen usava algum truque para roubar a cena. “Sete Homens e um Destino” fez bastante sucesso nos Estados Unidos, mas bateu recordes de público em todos os países em que foi exibido, inclusive no Brasil. Depois de “Sete Homens e um Destino” Steve McQueen passou a ser um nome famoso também no cinema mas ainda não era o grande ídolo que estava destinado a ser.

McQUEEN BRILHA EM NEVADA SMITH - Filmando novamente sob as ordens de John Sturges em “Fugindo do Inferno”, manifestou-se pela primeira vez a rebeldia de Steve McQuenn como astro. Ele não se conformou com seu papel inferior ao de James Garner e James Coburn, e chegou a abandonar a produção. McQueen venceu a briga e seu papel foi redimensionado e hoje a melhor lembrança desse clássico filme de guerra é Steve McQueen com sua emocionante escapada dos nazistas pilotando em alta velocidade uma motocicleta. A cada filme que fazia mais e mais aumentava o número de fãs de Steve McQueen e entre eles estava Sam Peckinpah. Já se conheciam dos tempos da televisão mas ficaram amigos durante as filmagens de “A Mesa do Diabo”, pois tinham muita coisa em comum, especialmente a rebeldia contra o sistema, desafiando os grandes estúdios. Porém McQueen nada pode fazer nada para evitar que Peckinpah fosse despedido da produção de “A Mesa do Diabo”. A seguir McQueen fez um western que estava destinado a ser estrelado por Alan Ladd, intitulado “Nevada Smith”. Com a morte de Ladd o papel ficou para McQueen no excelente western dirigido por Henry Hathaway com um soberbo elenco composto por Karl Malden, Brian Keith, Arthur Kennedy, Howard Da Silva, Pat Hingle, Paul Fix, Gene Evans e John Doucette. Entre tantos bons atores em “Nevada Smith” McQueen se reencontrou com Martin Landau. Depois do sucesso de “Nevada Smith” McQueen recebeu inúmeras propostas para atuar em faroestes, mas o gênero não o seduzia, além do que não queria ficar marcado como ator de westerns. Seus próximos filmes foram grandes sucessos sempre distantes das pradarias, como “O Canhoneiro do Yang-Tsé”, “Crown, O Magnífico” e mais que todos “Bullitt”, filme que ajudou a imortalizar um dos mais famosos carros da história automobilística, o Mustang. No caso um modelo Fastback verde ano 1966.

Steve sempre dispensou dublês.
Acima em "Junior Bonner"
QUASE SUNDANCE KID - “Butch Cassidy e Sundance Kid” foi um dos faroestes de maior bilheteria de todos os tempos. Fica-se a imaginar como seria esse sucesso se Steve McQueen tivesse aceitado interpretar Sundance Kid como queriam os produtores. Isso só não ocorreu porque McQueen pediu salário maior que o de Paul Newman e ainda ter seu nome à frente do nome de Newman nos créditos iniciais e intransigente como era, McQueen abandonou o projeto. Uma pena pois teríamos tido certamente um western menos light e com a dose certa de rebeldia que só mesmo McQueen sabia colocar nos personagens que interpretava. Steve gostava mesmo era correr e após criar sua própria companhia produtora, a Solar Productions, produziu “As 24 Horas de Le Mans”, que estranhamente não fez muito sucesso mas é considerado o melhor filme sobre corridas rodado em Hollywood até hoje. Atendendo a um convite de Sam Peckinpah, Steve McQueen aceitou interpretar o cowboy Junior Bonner num filme sobre rodeios que se chamou “A Dez Segundos do Inferno”, ao lado de Ida Lupino, Ben Johnson e Robert Preston. “Junior Bonner” é um belo e poético filme de Peckinpah sem a violência tão constante em seus trabalhos como ocorreria em “Os Implacáveis – Fuga Perigosa”, este sim um autêntico filme de Sam Peckinpah e que caiu no gosto do público, fazendo enorme sucesso. Produzido pela Solar, “Os Implacáveis” tornou McQueen um homem mais rico e poderoso. A essa altura de sua carreira Steve McQueen era um dos astros que mais levavam público ao cinema McQueen apareceu pela primeira vez entre os Top-Ten Money Making Stars em 1967, na 10.ª colocação; subiu para 7.º em 1968; foi o 3.º em 1969 e também em 1970; 4.º em 1971; 8.º em 1972; 3.º novamente em 1973; 5.º em 1974; 9.º em 1975, o último ano em que fez parte da lista depois de nove anos seguidos entre os atores mais rentáveis do cinema. Em 1974 McQueen era o artista mais bem pago do mundo. Outros grandes sucessos de Steve McQueen foram “Papillon” e “Inferno na Torre”. Steve McQueen afastou-se deliberadamente do cinema após “Inferno na Torre”, recusando propostas altíssimas para atuar em diversos filmes.

McQueen pilotando motos, acima com a esposa Neile.
Acima à direita com o lendário Carroll Shelby criador do AC Cobra.
Cena de Bullit com McQueen e o Mustang fastback.
Abaixo novamente com Neile e um de seus amores.


O casal mais famoso do mundo em 1974:
Steve McQueen e Ali McGraw
OS DEMÔNIOS DE STEVE McQUEEN - As razões que levaram McQueen a esse afastamento voluntário do cinema no auge da fama são bastante controversas. Especulou-se muito sobre a insatisfação de McQueen com os roteiros que lhe eram apresentados, quase todos filmes de ação quando ele queria interpretar personagens com maior densidade psicológica. E falava-se mais ainda de sua vida pessoal então bastante conturbada após ter se divorciado da primeira esposa Neile Adams, com quem teve dois filhos e foi casado por 16 anos. Steve McQueen viveu um tórrido romance dentro e fora da tela com Ali MacGraw em “Os Implacáveis” e acabou se casando com ela. Esse foi o mais comentado casamento daqueles tempos, pois Ali abandonou seu marido, o poderoso produtor Robert Evans, para viver com Steve. MacGraw eMcQueen formaram o mais famoso casal do cinema mas a vida em comum foi tempestuosa durando exatamente o tempo que McQueen esteve afastado do cinema. Não se pode atribuir a essa fase o envolvimento de Steve McQueen com as drogas já que ele sempre as usou, talvez não da forma acentuada como vinha fazendo durante o casamento com Ali MacGraw. Steve McQueen havia conquistado na vida tudo que alguém pode querer. Fama, fortuna, uma das mulheres mais bonitas do mundo, motos de todas as marcas como Triunph, Indian, British Leyland e Harleys e uma coleção fantástica de automóveis esporte, entre eles um AC Cobra, Jaguar D-Type XKSS, a famosa Ferrari Berlinetta 250 Lusso, Ferrari 512, Porches 917, 908 e 356 Speedster, para citar apenas alguns. Contra quais demônios McQueen teve que lutar não se sabe com certeza, problemas que o levaram a fazer o que fez Greta Garbo 40 anos antes. Mas diferentemente da atriz sueca McQueen voltou a atuar.

McQueen em seus últimos filmes;
irreconhecível em "O Inimigo do Povo"
DOLOROSO FINAL DE VIDA - O retorno ao cinema de McQueen aconteceu em 1978 no drama “O Inimigo do Povo”, em que o ator estava irreconhecível com cabelos longos, barba comprida e uma aparência bastante envelhecida. Nada que lembrasse o jovial e carismático ator da fase anterior a 1974. “O Inimigo do Povo” foi mal nas bilheterias, assim como seu próximo filme que marcou seu retorno ao western, intitulado “Tom Horn”. Nele McQueen interpreta um personagem lendário do Velho Oeste contratado para perseguir ladrões de gado. O último filme da carreira de Steve McQueen foi “Caçador Implacável” em que seu personagem é um moderno caçador de recompensas. Assim como os dois filmes anteriores, o último filme de McQueen também fracassou nas bilheterias. Lançado em agosto de 1980, “Caçador Implacável” mostrava um Steve McQueen com as marcas do câncer nas membranas que envolviam os pulmões. Essa doença (Mesothelioma) bastante rara o vinha consumindo há algum tempo. McQueen teve que ser submetido a cirurgias de tumores cancerígenos no pescoço e no abdômen. Seu estado era terminal mas mesmo assim, em novembro de 1980 McQueen foi internado num hospital em Juarez, no México, para novas cirurgias. Nesse hospital sofreu dois ataques cardíacos, vindo a falecer no dia 7 de novembro de 1980, aos 50 anos. Curiosamente, apesar dos poucos westerns que fez, Steve McQueen é sempre lembrado como um cowboy das telas, o mais cool de todos eles.



13 de setembro de 2011

BUCK JONES MORREU MESMO COMO HERÓI?


O cinema norte-americano gostava de transformar bandidos em mocinhos, como fez com Jesse James, Billy the Kid, Butch Cassidy e outros foras-da-lei. E sempre que aparecia oportunidade Hollywood criava uma idolatria com a intenção única de ganhar dinheiro mesmo após a morte de um ídolo. Foi assim com Rodolfo Valentino, James Dean e o exemplo mais gritante da ganância dos donos dos estúdios chamou-se Buck Jones. Todos que foram crianças nos anos 40 e 50 cresceram ouvindo os mais velhos contar sobre a morte heróica de Buck Jones, ocorrida em 1942, da forma como ela foi veiculada pelos órgãos de imprensa da época. Dizia-se que ele morrera num pavoroso incêndio numa casa noturna depois de salvar diversas vidas, entrando e saindo do local em chamas retirando vítimas desfalecidas, até que extenuado caiu e sofreu queimaduras que o levaram à morte. Buck Jones é um dos três grandes cowboys do cinema da fase do cinema mudo, ao lado de William S. Hart e Tom Mix e continuou sendo também um dos principais mocinhos da tela no cinema falado. Porém querer transformá-lo em herói na vida real no momento trágico que lhe roubou a vida é de uma desfaçatez que só mesmo Hollywood seria capaz.

Buck Jones e a Monogram
na Poverty Row
O QUE BUCK FAZIA NO LESTE? - A carreira de Buck Jones aproximava-se inexoravelmente do fim em 1942 e a Monogram Pictures Corporation, à qual ele estava ligado, fazia de tudo para promovê-lo, até mesmo fazendo com que Buck comparecesse a locais públicos que nem lhe eram familiares como a casa noturna Coconut Grove, em Boston, do outro lado dos Estados Unidos. Nessa tournê promocional Buck Jones, acompanhado pelo produtor Scott R. Dunlap, teve que comparecer no dia 28 de novembro de 1942 ao Boston Garden onde haveria uma corrida com 12 mil crianças participando. Em seguida foi assistir a um jogo de futebol americano do Boston College. À tarde Buck visitou um hospital infantil onde foram tiradas algumas fotos suas, as últimas que se conhece do cowboy em vida. Depois deu uma entrevista à imprensa e mais tarde ligou para a mulher que estava na Califórnia queixando-se de uma gripe forte contraída na viagem para o Leste, onde fazia muito frio nessa época do ano. Buck Jones estava com 51 anos, isto se aceita a idade distribuída nos releases para a imprensa, já que outras fontes davam a ele 53 anos. E à noite Buck ainda deveria comparecer a um novo e badalado clube noturno denominado Coconut Grove com a finalidade de vender os War Bonds (bônus que reverteriam para o esforço de guerra), como muitos outros artistas vinham fazendo.

O inferno no Coconut Grove
O INFERNO EM BOSTON - O Coconut Grove que havia sido recém-inaugurado não era um prédio novo e tinha sido reformado pelo novo dono que diziam ser ligado à máfia. A primeira providência do novo dono foi aferrolhar todas as portas laterais para impedir que clientes saíssem do night-club sem pagar a consumação. O clube possuía mezanino e comportava um máximo de 700 pessoas, no entanto foram distribuídos convites para aproximadamente mil pessoas naquela noite de gala no Coconut Grove. Apenas uma porta giratória servia de entrada e saída para acesso ao salão principal da casa noturna. O Coconut Grove estava inteiramente decorado com motivos polinésios, com dezenas de palmeiras e flores artificiais. Todo o material usado na decoração era de fácil combustão mas ninguém imaginava que pudesse ocorrer uma tragédia numa festa com finalidade tão nobre. Martin Sheridan era o publicitário contratado pela Monogram para organizar a agenda que Buck Jones teve que desenvolver em Boston e conseguiu mesas no mezanino da casa noturna. Buck Jones tentou cancelar sua presença em razão de seu estado de saúde, mas Sheridan lhe disse que ele sozinho naquela noite venderia mais War Bonds do que havia sido vendido em Boston até aquele momento. A Monogram, por sua vez, queria mesmo era vender os filmes de Buck Jones que acabou indo cumprir sua ‘patriótica missão’ no Coconut Grove. Stanley Tomaszewics, um jovem de 16 anos, havia sido contratado para atuar como ajudante de bar no Coconut Grove. Stanley contou que lhe pediram para que acendesse uma lâmpada que havia se apagado num canto escuro da casa noturna. Imprudentemente Stanley acendeu um fósforo para melhor parafusar a lâmpada quando percebeu que uma das palmeiras pegou fogo alastrando-se para os papéis de parede e incendiando as cortinas próximas. Fez-se uma fumaceira enorme e Stanley só se lembrava que o fogo se propagou com incrível rapidez. O barmen John Bradley contou que em minutos as paredes e o teto do Coconut Grove estavam em chamas pois havia sido feita uma decoração especial na parte superior do clube. Aos primeiros gritos de “Fogo!” teve início a desesperada fuga de mil pessoas em direção às portas laterais que não se abriam. Pela porta giratória, no saguão principal as pessoas passavam com dificuldade pois queriam girar a porta para ambos os lados e muitas ficaram caídas impedindo em seguida o movimento livre dessa porta. As mulheres vestiam vestidos longos e usavam casacos de peles que dificultavam seus movimentos, enquanto os homens estavam todos trajados a rigor, muitos vestindo fraques e cartolas. Os testemunhos dos sobreviventes contam que tudo se passou entre 12 e 15 minutos, tempo em que era impossível enxergar alguma coisa dentro do Coconut Grove. Após o incêndio o comunicado oficial do Corpo de Bombeiros informou que os primeiros carros chegaram ao local às 22h20 e encontraram a porta giratória obstruída por corpos e dezenas de outros corpos empilhados nas proximidades da porta giratória, o que dificultou o pronto acesso dos bombeiros ao local. O interior do Coconut Grove estava tomado por uma densa e escura fumaça que impediu um trabalho mais estratégico. A conclusão de John McDonough, chefe dos bombeiros foi que a maior parte das vítimas fatais morreram intoxicadas pela inalação da fumaça. Algumas vítmas apresentavam sinais de queimaduras mas não suficientes para lhes causar a morte. O Comissário James Mooney afirmou que muitas pessoas estavam machucadas como se tivesse lutado uma com as outras na escuridão na tentativa de se salvar. O barmen John Bradley disse que conhecia uma saída pela cozinha que dava para a rua e pediu a muitos que fugissem por aquela saída, mas o pânico instalado impediu que mais pessoas fossem salvas por aquela passagem.

O Coconut Grove antes da festa e carros
não reclamados das vítimas
AS MENTIRAS DA MONOGRAM - Martin Sheridan, um dos sobreviventes relatou que seu grupo, do qual Buck Jones e Scott R. Dunlap faziam parte, ocupavam duas mesas e quando o pânico tomou conta do local ele nem mesmo conseguiu salvar sua esposa que foi uma das vítimas fatais. O corpo de Buck Jones foi encontrado ainda com vida com queimaduras de segundo e terceiro graus no rosto e no pescoço, no mezanino, exatamente no local descrito por Sheridan. Ainda segundo Sheridan, seria impossível Buck Jones ter saído do mezanino, ter salvo alguém e retornado àquele local. Sheridan e outros que escaparam disseram que só conseguiram fazê-lo por terem protegido o rosto da fumaça envolvendo-o com as próprias roupas. Outros sobreviventes também afirmaram ser impossível alguém ter entrado e saído daquele inferno. Quem conseguiu sair não conseguiria, mesmo se quisesse, retornar ao interior do Coconut Grove. E no caso de Buck Jones, se ele tivesse mesmo conseguido sair não seria encontrado no mesmo local em que estava quando o incêndio começou. O heroísmo de Buck Jones foi uma invenção de Trem Carr, executivo da Monogram. Carr voou para Boston no dia seguinte ao incêndio e passou a distribuir notas à imprensa contando que Buck Jones estava ferido em razão de ter entrado e saído diversas vezes na tentativa de salvar vítimas. Talvez Carr acreditasse que Buck Jones sobrevivesse. A esposa de Buck Jones, Dell Jones, passou o resto da vida divulgando a versão do heroísmo fatal do marido. Porém nem Dell e nem Trem Carr sequer estavam em Boston na trágica noite.

DUNLAP, O OPORTUNISTA - O produtor Scott R. Dunlap foi encontrado com graves queimaduras nas mãos próximo a um caminhão do Corpo de Bombeiros. Dunlap estava perfeitamente lúcido e pediu a um jovem que chamasse uma ambulância para ele, dando depois uma nota de cem dólares para o rapaz. Dunlap não teve nenhuma preocupação naquele momento em encontrar Buck Jones, mesmo sendo seu sócio, juntamente com Trem Carr, como produtor da série Rough Riders. Depois de encontrado com vida, Buck Jones foi hospitalizado, assim como Martin Sheridan, que teve o rosto todo coberto por bandagens. Dois dias depois, em 30 de novembro, Buck Jones veio a falecer em razão principalmente da inalação da fumaça que lhe provocou danos na parte interna da garganta. Buck Jones, Scott R. Dunlap e Trem Carr haviam investido 3.300 dólares cada um na formação da Great Westerns Pictures, produtora da série Rough Riders. Anos depois Dunlap comprou de Dell Jones a parte de seu falecido marido pelos mesmos 3.300 dólares. Posteriormente Dunlap adquiriu também a parte de Trem Carr tornando-se o único dono do acervo da Great Westerns Pictures, o qual vendeu para a incipiente TV norte-americana pela estratosférica soma de 250 mil dólares. Nem Dell e nem Carr receberam nada de Dunlap que ficou rico sozinho.

NOVAS LEIS DE PREVENÇÃO DE TRAGÉDIAS - Todos os fãs de westerns gostariam de acreditar que Buck Jones tenha morrido como um verdadeiro herói, mas todas as testemunhas e as conclusões dos laudos indicam que ele morreu sem que pudesse tentar salvar sua própria vida, quanto mais alguma das outras 492 vítimas daquele pavoroso incêndio. A partir dessa tragédia em Boston foram criadas leis para que nunca mais se repetisse o ocorrido no Coconut Grove, em 28 de novembro de 1942. Mesmo sem ter salvado vidas na trágica noite do Coconut Grove, Buck Jones jamais deixará de ser o herói de pelo menos duas gerações de fãs e certamente um dos maiores cowboys do cinema em todos os tempos.

12 de setembro de 2011

BOLSA DE CINEMA HÁ 40 ANOS (13/9/1971)

O jornal paulistano “Folha da Manhã” criou na década de 50 uma Bolsa de Cinema para ajudar o público a escolher os filmes em exibição nos cinemas da cidade. A partir de 1960 a “Folha da Manhã” mudou o nome para “Folha de S. Paulo”. À entrada dos cinemas os espectadores recebiam, no primeiro dia de exibição de um filme, cupons para avaliar os filmes para serem preenchidos ao final da sessão. As menções podiam ser Ótimo, Bom, Regular ou Mau. No dia 13 de setembro de 1971 a Bolsa de Cinema publicada mostrava o western “Mato em Nome da Lei” (Lawman) avaliado com 23,5% ótimo - 47,8% bom – 16,5% regular – 12,2% mau.

Foram também avaliados os westerns “Barquero”, de Gordon Douglas com Lee Van Cleef e Warren Oates, que recebeu respectivamente 16% - 39,4% - 36,2% - 8,4%; “Cheyenne” (Cheyenne Social Club), de Gene Kelly, com James Stewart e Henry Fonda, com 17,9% - 46,4% - 30,4% - 5,3%; o spaghetti-western “Dólares de Sangue para McGregor” recebeu respectivamente 19,6% - 29,9% - 36,8% - 13,7%. Os filmes melhor avaliados com a soma de ótimo e bom foram “Deu a Louca no Mundo” com 96,8%; “A Filha de Ryan” com 96,4%; “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, com 95,1%.

MATO EM NOME DA LEI (LAWMAN) WESTERN COM BURT LANCASTER FAZENDO ‘JUSTIÇA’


Aos quase 60 anos, em 1971/1972, Burt Lancaster surpreendeu o mundo do cinema atuando em três westerns intitulados “Mato em Nome da Lei” (Lawman), “O Retorno de Valdez” (Valdez is Coming) e “A Vingança de Ulzana” (Ulzana’s Raid). Eram tempos em que a presença das forças norte-americanas no Vietnã era fortemente condenada mas encontrava também alguns poucos que tentavam justificá-la. “Mato em Nome da Lei” é uma alegoria àquela guerra ainda que o western de Michael Winner se abstenha de qualquer tipo de julgamento. Justamente por fazer referência indireta à presença de Tio Sam no Vietnã, esse western foi praticamente ignorado quando de seu lançamento, somado ainda à dose elevada de violência e ao uso de características técnicas próprias dos westerns-spaghetti. Hoje, visto à distância daquele momento político e após os tantos filmes em que justiceiros tentam sozinhos implantar a lei e a ordem, “Mato em Nome da Lei” deixa uma impressão bastante melhor que quando de seu lançamento, tempos que alguém já chamou de “os intoxicantes anos 70”.

Lee J. Cobb e Albert Salmi, vítimas de Jared Maddox
UM HOMEM CONTRA UMA CIDADE - O filme conta a história do Marshall Jared Maddox (Burt Lancaster), inflexível homem da lei que sai de Bannock, cidade onde é a autoridade, em direção Sabbath, cidade dominada pelo fazendeiro Vincent Bronson (Lee J. Cobb). Maddox não tem nenhuma jurisdição em Sabbath, o que não o impede de tentar prender sete homens responsáveis por um assassinato ocorrido lá em Bannock. Bronson e seus homens foram os responsáveis por essa morte quando passaram por Bannock e inconsequentemente dispararam tiros a esmo. O Marshall Maddox quer prender os responsáveis pacificamente contando para isso com a ajuda da autoridade local, o Marshall Cotton Ryan (Robert Ryan). No entanto Cotton é também subordinado a Bronson, assim como praticamente todos na cidade, desde o prefeito, passando pelos comerciantes até chegar aos modestos rancheiros. Sabendo-se ameaçados os homens de Bronson tentam enfrentar Maddox e vão sendo mortos à medida que os enfrentamentos ocorrem, entre eles o filho de Bronson o que o leva cometer suicídio. Apenas um jovem chamado Crowe Wheelright (Richard Jordan) sobrevive, aparentemente porque aceita a intransigente maneira de ser de Maddox.

Sheree North entre
R. Ryan e R. Duvall
WESTERN SEM HOMENS MAUS - Jared Maddox é um homem solitário, triste e taciturno que não admite que um crime fique impune e se necessário executa ele próprio a justiça, sua forma de impor a lei e a ordem. Maddox não é propriamente um justiceiro ou um regulador pois está investido da autoridade nos limites de sua cidade. Fora de sua jurisdição usa o distintivo e a fama de homem frio e sem escrúpulos para se impor. Maddox tem seu próprio código de ética e age movido pela filosofia própria em que uma morte sempre se justifica quando ela ocorre no cumprimento da lei. Diferentemente dos fazendeiros poderosos de outros westerns, Bronson é dotado de equilíbrio e senso de responsabilidade. É um barão de gado que dá liberdade a cada um de seus homens para que decidam quanto ao enfrentamento com Maddox. O mesmo Bronson tem uma ambígua relação com Harvey Stenbaugh, seu braço direito e tenta uma saída menos drástica para o impasse da rendição de seus homens mesmo sabendo que Maddox é impiedoso e inflexível. A chegada de Maddox a Sabbath levou pânico não só aos homens que procurava mas a todos que lá viviam. Ocorre um movimento dos cidadãos que tenciona enfrentar Maddox fazendo uso da desigualdade numérica, mas o Marshall de Bannock os desarma com poucas palavras, com seu olhar e os convence com seu ideal de justiça. A rigor não há homens maus em Sabbath.

ANTECIPANDO OS HERÓIS MODERNOS - Maddox é um personagem incomum nos westerns, mais próximo dos tipos que o cinema criou nos anos 70 como ‘Dirty’ Harry Callahan (Clint Eastwood) e Paul Kersey, o justiceiro interpretado por Charles Bronson em filmes dirigidos pelo mesmo Michael Winner. As mulheres são acidentes na vida desses personagens, assim como para Jared Maddox, representadas em “Mato em Nome da Lei” por Laura Shelby (Sheree North), companheira de uma noite de amor. Laura alimenta a ilusão de acompanhar Maddox mas termina vendo-o assassinar seu marido em fuga no meio da rua principal de Sabbath, com um tiro pelas costas. Essa morte, mais que qualquer outra define Jared Maddox, aquele que não possui nenhum sentimento de piedade e confirma o que lhe disse a própria Laura que ele, Maddox, era um ‘widowmaker’ (fazedor de viúvas). A próxima seria exatamente ela.


Cena violenta do suicídio de Bronson (Lee J. Cobb)
REUNIÃO DE TALENTOS MADUROS - “Mato em Nome da Lei” tem um elenco excepcional pois somente atores do porte de Lee J. Cobb e Robert Ryan seriam capazes de transformar protótipos como os personagens do barão de gado (Cobb) ou do xerife submisso (Ryan) em seres complexos. O mesmo pode ser dito das ótimas interpretações de Robert Duvall e Albert Salmi. O filme tem a presença da bonita Sheree North que tão poucas oportunidade teve no cinema, uma delas em “O Último Pistoleiro” (The Shootist), de Don Siegel, além de um magnífico elenco de apoio. A lamentar o desperdício de Joseph Wiseman num papel de menor importância e que não foi melhor desenvolvido. Burt Lancaster domina o filme todo criando mais um personagem brutal na sua incontável galeria de tipos fortes vividos no cinema. Lancaster dá a Jared Maddox o olhar triste de um homem sem emoção e sem alegria. Homem que vive para matar. Fortemente influenciado pela estética dos westerns Made-in-Italy, especialmente com o uso por vezes desnecessário de zooms, “Mato em Nome da Lei” tem direção de fotografia de Robert Paynter. Esse cinegrafista se imortalizou por ter sido o responsável pela direção de fotografia no mais famoso clip da história da música que foi “Thriller”, com Michael Jackson. A música é do sempre competente Jerry Fielding, parceiro de Sam Peckinpah em inúmeros filmes, entre eles “Meu Ódio Será Sua Herança”. A magnífica trilogia de faroestes estrelados por Burt Lancaster é completada por “Mato em Nome da Lei”, talvez o menor dos três westerns, mas nunca um western menor.
Burt Lancaster como o pragmático Homem da Lei

10 de setembro de 2011

O CIÚME DE CLINT EASTWOOD EM “JOSEY WALES O FORA-DA-LEI”


Philip Kaufman havia escrito e dirigido em 1972 um western muito elogiado pela crítica que foi “Sem Lei e Sem esperança” (The Great Northfield Minnesotta Raid), filme que narrou a mais famosa aventura de Jesse James (Robert Duvall), ao lado de Cole Younger (Cliff Robertson). Quando a produtora Malpaso, de Clint Eastwood conseguiu aprovação da Warner Bros. para iniciar a pré-produção de “Josey Wales, o Fora-da-Lei” (Outlaw Josey Wales), em 1975, Philip Kaufman foi contratado para escrever o roteiro e dirigir esse novo western de Clint Eastwood, baseado no livro de Forrest Carter. Kaufman, que era um daqueles diretores puxados para a intelectualidade, foi também incumbido de verificar as diversas locações em que “Josey Wales” seria rodado. Finalmente as filmagens foram iniciadas em Lake Powell, no Arizona e no elenco estava uma pouco conhecida atriz chamada Sondra Locke. A contratação de Sondra desagradou Kaufman pois não fora ele quem a indicara e sim Clint Eastwood que tivera um rápido contato com a atriz dois anos antes, quando Sondra não foi aprovada para o elenco de “Interlúdio de Amor” (Breezy), dirigido por Clint Eastwood. No primeiro dia de filmagens de “Josey Wales”, quando Sondra e Clint se encontraram pela primeira vez, ambos se sentiram atraídos um pelo outro. Clint a convidou para jantarem juntos à noite, mas Sondra já havia combinado jantar com Philip Kaufman. O diretor usou o pretexto de conversarem para melhor desenvolver o personagem de Laura Lee, que seria interpretado por Sondra. A atriz falou para Clint participar também do jantar mas Clint não aceitou jantar a três.

A DISPUTA POR SONDRA LOCKE - À noite, durante o jantar, Sondra só pensava em Clint e nem prestava a atenção no que Kaufman dizia. Porém ela não esqueceu de ele ter dito que seu casamento com Rose Kaufman não ia muito bem e que Rose aceitava os relacionamentos que eventualmente podiam ocorrer durante uma filmagem, típica cantada de homem casado. A certa altura Philip Kaufman colocou sua mão sobre a de Sondra e apertando-a. Sondra imediatamente pediu licença e foi para seu quarto no hotel onde a equipe estava hospedada. Lá chegando Sondra encontrou um recado de Clint perguntando: “Podemos jantar amanhã?” Sondra e Clint nem esperaram para conversar à noite pois passaram o dia juntos. Onde Clint estivesse Sondra estava junto a ele, recebendo de Clint todas as atenções. Trocando em miúdos, o namoro havia começado. Sondra era casada com um artista homossexual e Clint era casado há mais de 20 anos com Maggie Johnson mas viviam separados e toda Hollywood sabia que Clint era não só o Number One das bilheterias mas também o primeiro entre os garanhões da terra do cinema, apreciando especialmente as louras como Sondra Locke.

CLINT DEMITE O DIRETOR - Philip Kaufman tinha um estilo de trabalhar diferente do de Clint Eastwood. Muitas vezes Clint filmava o próprio ensaio e gritava “print”, ou seja, podiam revelar os negativos, meio assim como fazia John Ford. O lema de Clint Eastwood como produtor-diretor sempre foi “Abaixo do Cronograma e Abaixo do Orçamento”. Ao perceber que Philip iria fazer um filme assim naquela linha ‘contemplativa’, começou a irritação de Clint. Kaufman se apegava a pequenos detalhes e para Clint o diretor dar muita atenção a detalhes é sinônimo de prejuízo certo. A primeira semana foi de mal a pior no aspecto das filmagens, mas Clint e Sondra estavam no paraíso no campo sentimental. No primeiro dia da segunda semana de filmagem havia uma cena em que os bandidos chefiados por John Quade atacam o local onde se encontra a família de Laura Lee (Sondra) e tentam estuprá-la. Philip Kaufman mostrou como a cena deveria ser feita segurando por trás Sondra Locke, que teve o vestido e ficando praticamente nua. Terminado o ensaio da sequência, Clint Eastwood informou que as filmagens estavam suspensas, para espanto de todos, principalmente de Kaufman. Clint pediu a Robert Daley, seu braço direito na Malpaso, que informasse a Philip Kaufman que ele estava despedido das filmagens. Foi dado um informe geral que Clint passaria a dirigir “Josey Wales, o Fora-da-Lei”.

REGRA CLINT EASTWOOD - Kaufman tomou o primeiro avião para Los Angeles e no dia seguinte estava no escritório da DGA (Directors Guild of America) prestando queixa contra Clint. A base da reclamação é que todos os contratos assinados por diretores contêm uma cláusula segundo a qual, feita a pré-produção e iniciadas as filmagens, nenhum ator poderia demitir um diretor. Porém neste caso Kaufman estava sendo demitido não pelo ator Clint Eastwood, mas sim pelo produtor que não era outro senão o próprio Clint. O caso foi parar na mesa de Robert Wise, então presidente do DGA que imediatamente determinou que as filmagens fossem suspensas. Pelos estatutos dessa espécie de sindicato dos diretores, um diretor dispensado só poderia ser substituído por outro diretor. Acontece que Clint já havia dirigido cinco outros filmes e aparentemente estava dentro das normas do Directors Guild ao assumir a direção de “Josey Wales, o Fora-da-Lei”. A Warner Bros. decidiu intervir com sua força de maior estúdio norte-americano e acabou conseguindo um acordo com Kaufman que nunca revelou quanto recebeu mas que transpirou que foi 500 mil dólares (hoje mais de dois milhões de dólares). Foi aplicada uma multa de 50 mil dólares a Clint Eastwood, multa que certamente foi paga pela Warner Bros. O Conselho Deliberativo do Directors Guild criou então uma regra que passou a ser chamada de “Eastwood Rule” (Regulamento Eastwood), segundo a qual nenhum diretor demitido depois de iniciado um filme poderá ser substituído por alguém do elenco ou da equipe técnica envolvida nesse filme.

Phil Kaufman (à direita) com o cinegrafista Sven Nykvist

O BOM, O MAU E O MUITO FEIO - “Josey Wales, o Fora-da-Lei” foi um dos maiores sucessos de bilheteria de 1976 e para muitos é o melhor western de Clint Eastwood, melhor até que o premiado “Os Imperdoáveis” (Unforgiven). Depois de "Josey Wales" Philip Kaufman passou três anos sem dirigir, fazendo-o no remake de “Invasores de Corpos” que originalmente fora dirigido por Don Siegel, grande amigo de Clint. Kaufman conquistou a crítica em 1983 com “Os Eleitos - Onde o Futuro Começa”, dirigindo depois “A Insustentável Leveza do Ser”, “Henry e June – Delírios Eróticos” e “Sol Nascente”, este com Sean Connery. Já o romance de Sondra Locke com Clint Eastwood resultou numa das mais tempestuosas relações da história de Hollywood com a corajosa atriz processando (e vencendo!) Clint Eastwood e e a Warner Bros. nos tribunais. E ela ainda ganharia dinheiro escrevendo um livro chamado “The Good, the Bad and the Very Ugly”, mostrando um Clint Eastwood pouco conhecido dos fãs de cinema.