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29 de setembro de 2011

ANGIE DICKINSON – OS 80 ANOS DE UMA LINDÍSSIMA ATRIZ


John Wayne falando a respeito de Angie Dickinson: “Angie foi uma das melhores atrizes com quem trabalhei. O que eu gostava em Angie é que ela não tinha aquelas frescuras de ‘não desmanche minha maquiagem’ ou ‘cheguei atrasada porque estava arrumando meu cabelo’. Ela estava sempre pronta e sabia exatamente o que fazer e como fazer. E olha que já eu trabalhei com muitas e muitas atrizes. Maureen O’Hara seria o meu equivalente como mulher, pois era durona assim como eu. Gail Russell tinha aquela fragilidade que contrastava com a minha personalidade. Angie não era nem durona e nem frágil. Angie podia ser dura, gentil e muito sexy. Ela era bonita, tinha um tremendo sex-appeal e também cérebro. Olha, Angie Dickinson era aquele tipo de mulher que homem nenhum consegue resistir.”

INÍCIO DE CARREIRA NOS FAROESTES - Angie Dickinson nasceu em 30 de setembro de 1931 no Estado de Dakota do Norte, e seu nome de batismo era Angeline Brown. Ainda adolescente mudou-se com sua família para Burbank, na Califórnia, ganhando todos os concursos de beleza dos quais participou, menos o de Miss América de 1953 em que foi a segunda colocada, numa daquelas injustiças que os brasileiros que se recordam de Martha Rocha conhecem bem. Dos concursos para a TV foi um passo, ainda mais que Angeline se casou com Gene Dickinson, um dos mais famosos astros do futebol americano da época, equivalente a Joe Di Maggio no baseball. Adotando o nome artístico de Angie Dickinson, a jovem estreou no cinema em 1954 numa ponta no musical “Com o Céu no Coração” (Lucky Me), filme estrelado pela maravilhosa atriz-cantora Doris Day. Melhor começo impossível! No ano seguinte Angie faria sua estréia nos faroestes em “A Audácia é Minha Lei” (Tennessee’s Partner), dirigido por Allan Dwan e estrelado por John Payne, Ronald Reagan e Rhonda Fleming. A seguir Angie participou dos westerns “The Return of Jack Slade” (com John Ericson e Mary Blanchard), “Hidden Guns” (com Bruce Bennett) e “Armado até os Dentes” (Man With the Gun), com Robert Mitchum e Jan Sterling nos papéis principais. A sequência de westerns em que a promissora Angie Dickinson participou continuou em 1956 com “Marcados pela Violência” (Tension at Table Rock), dirigido por Charles Marquis Warren e tendo no elenco Richard Egan e uma deslumbrante Dorothy Malone. Também dirigida por Charles Marquis Warren e ao lado de Hugh Marlowe e Colleen Gray, Angie atuou em “O Chicote Negro” (The Black Whip). Nesse mesmo ano de 1956 Angie estava no elenco de “Atirar para Matar” (Gun the Man Down), filme de estréia de Andrew V. McLaglen, diretor que faria muitos outros westerns, e estrelado por um gigantesco ator chamado James Arness que faria muito sucesso na TV.

Angie e Randy Scott em
"No Rastro dos Bandoleiros"
AS PERNAS MAIS BONITAS - Em 1957 Angie Dickinson fez o primeiro papel feminino num faroeste de um dos maiores mocinhos do cinema, Randolph Scott, no western “No Rastro dos Bandoleiros” (Shoot-Out at Medicine Bend), filme que tinha no elenco o simpático e promissor ator James Garner. O diretor Samuel Fuller dirigiu o polêmico western “Renegando meu Sangue” (Run of the Arrow), estrelado por Rod Steiger e pela atriz espanhola Sarita Montiel incapaz de pronunciar ‘thank you’ em Inglês, sendo dublada pela voz suave e sensual de Angie Dickinson. Dirigida pelo mesmo Sam Fuller e ao lado de Gene Barry, Angie Dickinson esteve bem no admirado filme de guerra “No Umbral da China”, que antecipou o que seria a Guerra do Vietnã anos mais tarde. A personagem de Angie nesse filme de Fuller se chama ‘Lucky Legs’ e as belas pernas da atriz chamavam a atenção tanto quanto seu lindo rosto. Em 1957 Angie atuou ao lado de Herb Jeffries, o primeiro mocinho negro do cinema, no musical “Calipso Joe”. A esse trabalho seguiram-se “Grito de Terror”, com James Mason e Rod Steiger e a comédia “I Married a Woman”, em que a atriz principal é Diana Dors. Os produtores de Hollywood muito insistiram para que Angie Dickinson oxigenasse seus cabelos para se tornar mais uma loura burra como Diana Dors, Mamie Van Doren e Jayne Mansfield. No entanto, Angie Dickinson que era morena clara permitiu apenas que seus cabelos fossem clareados mas de forma alguma queria ser mais uma imitadora de Marilyn Monroe. Desnecessário para Angie oxigenar os cabelos quando ela possuía tão lindas pernas, cada vez mais notadas. Marlene Dietrich, Cid Charysse e Ann Miller já não disputavam mais quem era a dona das mais belas pernas de Hollywood pois esse título passava para uma digna e muito mais jovem sucessora chamada Angie Dickinson. E o mundo inteiro percebeu isso num faroeste de John Wayne lançado em 1959.

Alegria permanente em
"Onde Começa o Inferno"
ONDE COMEÇA O PARAÍSO - Muito se discute o que faz “Onde Começa o Inferno” (Rio Bravo) ser considerado uma das obras-primas do gênero. A conclusão a que se chega é que este western de Howard Hawks é um pouco como “Casablanca”, ou seja, um filme onde tudo deu certo. Nenhum outro faroeste é tão agradável de ser visto como “Onde Começa o Inferno”, que tem o cowboy John Wayne em grande forma, Dean Martin revelando-se um ótimo ator, a afiada e engraçada ranzinice de Walter Brennan, a simpatia de Ricky Nelson, as canções na hora certa, ação da melhor qualidade dirigida por Hawks, um elenco de apoio perfeito e ‘Feathers’, a personagem de Angie Dickinson. Todos no elenco adoraram trabalhar com Angie, o que muito deve ter ajudado para “Onde Começa o Inferno” ser lembrado como o “Cantando na Chuva” dos faroestes, um filme deliciosamente perfeito. Alguém já comentou que é um faroeste excessivamente longo e isso talvez se deva ao considerável aumento do papel de Angie Dickinson que era para ser apenas o interesse romântico do Duke o filme mas acabou tendo uma participação menor apenas que a de Wayne, Martin e Brennan. Assim como conquistou Duke, Angie conquistou também Hawks e o resto do elenco num filme feito num clima de total harmonia. O sucesso de bilheteria e de crítica de “Onde Começa o Inferno” foi inevitável e quem mais ganhou com isso foi a carreira de Angie Dickinson.

Angie com Frank Sinatra e em "Onze
Homens e um segredo" e com John
Cassavetes em "Os Assassinos"
SINATRA E LEE MARVIN - A mãe de Angie Dickinson sempre criticou a filha por ela ter seguido a carreira de atriz. Dona Frederica Brown, a mãe de Angie acreditava que ser atriz era sinônimo de prostituta. Sua filha já estava divorciada do jogador de futebol com quem se casara e linda como era tinha muitos namorados, entre eles um com envolventes olhos azuis e uma voz que derretia qualquer coração. Certo dia Angie avisou Dona Frederica e Seu Leo (seus pais), que iria visitá-los levando um namorado, mas não disse o nome do sortudo. Quando a porta se abriu Frederica quase desmaiou pois o namorado da filha era nada menos que Frank Sinatra. Depois disso Dona Frederica passou a afirmar que ser atriz é a melhor profissão do mundo. Angie e Frank foram namorados por muitos anos e ela é a única mulher em meio a um time inteiro de ladrões em “Onze Homens e Um segredo”, filme com todo clã de Sinatra rodeando Angie Dickinson. Outros filmes importantes que Angie fez, agora como atriz principal foram “Um Raio em Céu Sereno”, com Peter Finch e Roger Moore; “O Candelabro Italiano”, de Delmer Daves, com Troy Donahue; “Jessica”, com Maurice Chevalier; “Pavilhão 7”, com Gregory Peck e Tony Curtis, todas grandes produções mas nenhuma com a qualidade artística de um certo filme de orçamento médio dirigido por Don Siegel, refilmagem de um conto de Ernest Hemingway intitulado “Os Assassinos”. Foi nesse violento policial que Angie Dickinson se encontrou pela primeira vez com Lee Marvin, experiência que deve ter causado inúmeros pesadelos à atriz que no filme sofreu muito nas mãos de Lee que em uma das cenas mais espetaculares segura Angie pelos calcanhares ameaçando jogá-la pela janela de um hotel. Em “Os Assassinos” Angie comprovava que além de dona das mais bonitas pernas de Hollywood era também excelente atriz. Seguiram-se outros bons filmes na carreira de Angie, entre eles “Caçada Humana”, com Marlon Brando, porém seu outro grande momento no cinema seria novamente ao lado de Lee Marvin num dos melhores policiais não só da década de 60, mas de todos os tempos, que foi “À Queima-Roupa”. Desnecessário dizer que mais uma vez Lee Marvin descarrega parte de sua maldade em Angie Dickinson. Há uma cena em que Angie bate em Lee Marvin até ficar exausta, após o que o maior vilão do cinema olha com desdém para Angie que está mais linda que nunca.
Angie Dickinson con Lee Marvin em "Os Assassinos" (acima);
em "À Queima Roupa" (à esquerda) e em "Perseguição Mortal"
O CASAMENTO DO ANO - Burt Bacharach era a coqueluche da música norte-americana nos anos 60 compondo clássico atrás de clássico, entre eles “Raindrops Keep Fallin’ on My Head” tema de “Butch Cassidy e Sundance Kid”. Angie e Burt se conheceram, se apaixonaram e realizaram o casamento do ano de 1965 no mundo artístico. Burt compunha e Angie atuava, voltando a fazer faroestes, primeiro “O Pistoleiro do Rio Vermelho” (The Last Challenge), com Glenn Ford e Jack Elam; seguiu-se “Sam Whisky, o Homem de Ouro” (Sam Whiskey), com Burt Reynolds e Clint Walker; e depois “O Pistoleiro Marcado” (Young Billy Young), com Robert Mitchum. Angie Dickinson chegava aos 40 anos ainda muito bonita e sua beleza seria explorada (quem mais senão ele!) por Roger Corman na comédia-policial “A Mulher Metralhadora” (Big Bad Mama), em que Angie interpretando a criminosa Wilma McClatchie tem cenas de nudez cujas fotos foram estampadas em revistas do mundo inteiro para alegria dos admiradores da perfeita plástica feminina. Esse filme é de 1974, mesmo ano em que Angie aceitou estrelar uma série de TV interpretando uma policial caçando bandidos nas ruas, território até então dominado pelos atores.

SERGEANT PEPPER - “Police Woman” obteve sucesso tão inesperado como grande, transformando-se no seriado de TV preferido dos homens em meados dos anos 70 E havia uma razão para isso, ou melhor, uma linda razão, a estrela do seriado Angie Dickinson. Assistir às aventuras da Sargento Suzanne ‘Pepper’ Anderson era uma rotina deliciosamente obrigatória e a audiência masculina manteve o seriado no ar por cinco longos anos, abrindo inclusive, as portas para outras séries estreladas por atrizes como Lynda Carter em “Mulher Maravilha”, o trio de “As Panteras” e outros seriados comandados por jovens heroínas bonitas. Angie Dickinson já estava com 43 anos, em 1974, quando teve início a série “Police Woman”, mas a idade em nada afetava sua beleza e charme que fazia dela uma das mulheres mais desejadas do mundo. Quando a série “Police Woman” saiu do ar parecia que a carreira da cinquentona Angie Dickinson chegava ao fim, mas a vida tem curiosas coincidências. Em “Police Woman” Angie trabalhava sob as ordens de Earl Holliman, ator nascido num dia 11 de setembro. Um jovem diretor, também nascido num 11 de setembro, chamado Brian De palma contratou Angie Dickinson para aquele que seria o mais difícil papel de sua carreira.

Angie em "Vestida para Matar"
DESPIDA PARA EMOCIONAR - Brian De Palma era fã confesso de Hitchcock e em “Vestida para Matar” De Palma praticamente recriou “Psicose” com assassinato no chuveiro e a sequência do Museu com Angie confundindo-se com um quadro. Porém “Vestida para Matar” deixou de se um filme-homenagem para se transformar num clássico do moderno suspense com destacadíssima interpretação de Angie Dickinson nesse que foi o último verdadeiramente grande filme de sua carreira. Haveria ainda o terceiro e último encontro de Angie Dickinson com Lee Marvin que ocorreu em “Perseguição Mortal”, bastante inferior aos dois policiais anteriores. Charles Bronson liderou o elenco deste filme de ação. Em 1981 Angie interpretou Dragoon Queen numa aventura de Charlie Chan (desta vez vivido por Peter Ustinov) intitulada “Charlie Chan e a Maldição da Rainha”. Em 1987 Angie voltaria a ser a criminosa Wilma McClatchie numa continuação de “Big Bad Mama – A Mulher Metralhadora”. Angie, que sempre gostou de atuar na TV, fez parte do elenco de “Era Uma Vez no Texas”, dirigido por Burt Kennedy e com Richard Widmark, Willie Nelson, Chuck Connors, Jack Elam e muitos outros veteranos dos faroestes.

MOCINHA INESQUECÍVEL - Em pequenos papéis suficientes porém para mostrar sua beleza madura, Angie Dickinson pode ser vista nas refilmagens de “Sabrina” (1995), com Harrison Ford e de “Onze Homens e Um segredo” (2001). O último filme, até agora, que teve a participação de Angie Dickinson foi feito em 2004 e estrelado por Kim Bassinger, com o título de “Elvis Ainda não Morreu”. Hoje, dia 30 de setembro, Angie Dickinson comemora seu octogésimo aniversário e pelo que se vê em fotos recentes continua sendo uma mulher muito bonita, ela que foi sem dúvida uma das mais bonitas, simpáticas e elegantes mulheres do cinema. Angie atuou em apenas um grande faroeste que foi “Onde Começa o Inferno”, mas foi o suficiente para que se tornasse inesquecível para os fãs do gênero.


Estrelas do passado: Angie Dickinson, Nichelle Nichols,
Stephanie Powers e Linda Evans

9 comentários:

  1. Merecida lembrança, Darci. Na cena do chuveiro em Vestida para Matar, as "curvas" de Angie foram substituídas por uma dublê. Tema retomado por Brian De Palma em Dublê de Corpo(1984).

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  2. Um rosto ovalado, crivado por um par de olhos fulgazes e vibrantes em sensualidade, sublinhados por uma boca dotada de um dos mais absorventes e voluptuosos sorrisos do mundo, onde um nariz, como se desenhado num cuidadoso e delicado nanquim, termina por compor esta modesta descrição em um dos mais belos rostos do cinema americano.
    Isto tudo é Angie Dikinson.
    Puxa! Como ela fez faroestes! E eu que cheguei a imaginar um dia que Onde Começa o Inferno fosse seu debut no cinema! Ledo engano!
    E preciso correr atras de todos estes filmes que fez para ve-los ou reve-los.
    E em Vestida para Matar ela está divina!
    jurandir_lima@bol.com.br

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  3. Grande post, Darci. A Angie era um furacão. Maravilhosa. Sempre gostei muito ela, principalmente nos dois policiais com Lee Marvin.

    O Falcão Maltês

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  4. Obrigado, Ivan e Nahud. Dê fato falam muito dessa dublê de corpo pois Angie já estava perto dos 50 anos. Mas pouco antes ela havia se mostrado em grande forma em "A Mulher Metralhadora" de Roger Corman. Foi uma das atrizes que melhor envelheceu.

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  5. Post indicado aos leitores do Grupo de Blogs de Cinema Clássico:
    http://blogsdecinemaclassico.blogspot.com/2011/10/links-da-semana-de-26-de-setembro-2-de.html

    Boa semana!

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  6. Oi, Carla - Agradeço as indicações de posts do CINEWESTERNMANIA. Você é um amor.

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  7. entrei no seu blog e não dá para sair..pelo visto vou passar a manhã nêle..já captei mais de 10 fotos obrigado por existir seu amigo josé simões filho

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  8. Darci;

    Acabei de por comentários no seu ultimo post (Rio Bravo).
    Mas, quando falaste de Angie Dickinson, sobre a postagem dela e etc, retornei a 29/09/2011 e reli todos os comentários postos.

    E vi que o meu estava ótimo, que não precisava acrescentar mais nada a tudo o que já havia dito sobre esta linda mulher.

    De fato, ela, mesmo aos 50, quando fez o bom Vestida Para Matar, ainda era uma mulher belissima. Aquela cena de amor dentro do carro em movimento pelas ruas e a cena em que ela é assassinada no elevador, mostra que ela, não somente era linda demais, como uma atriz de grandes recusros.

    Recordas a cena? Lembra o quanto ela está atriz? Falo a do elevador, onde ela é cortada várias vezes e morre sem poder falar e erguendo a mão, num desesperado pedido de SOS!
    Magnifica, não?

    Por tudo isso pouco tenho a acrescentar ao que pensava ter feito um comentário menor. Mas não; eu disse muito o que achava desta mulher que, mesmo aos 80, ainda se mostra viçosa e mantedora do mesmo arrebatador sorriso.

    Que viva mais longos e longos anos a bonita Angie.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  9. Bons tempos aqueles,onde não se via a violência atual.Eu sinto muitas sauda-
    des.

    Adriel Batista Correia de Melo
    Maceió(ALAGOAS)Brasil

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